João Grilo e Chicó revivem no teatro

Por Metro Jornal

É difícil falar sobre “Auto da Compadecida” sem lembrar da adaptação dirigida em 2000, por Guel Arraes, que levou  mais de 2 milhões de pessoas aos cinemas.

Quase 20 anos depois, o grupo mineiro Maria Cutia revisita as desventuras de João Grilo e Chicó no teatro, formato original do texto assinado por Ariano Suassuna (1927-2014).

O responsável por dirigir a montagem, em cartaz no Sesc Pompeia, é Gabriel Villela, conhecido por conduzir peças emblemáticas do Grupo Galpão, outra famosa trupe mineira.

Oriundo do teatro de rua, o Maria Cutia incorpora referências circenses à peça, calcada em arquétipos do sertão nordestino, como o padre, o cangaceiro, o comerciante e o malandro.

O que se vê em cena é a mesma história do herói sem caráter, apresentada a partir de pequenos trambiques executados por João Grilo para sobreviver, mas com o toque barroco típico de Villela e certa inspiração brechtiana.

A picardia dá o tom da cena, que incorpora música executada ao vivo pelos atores, incluindo trechos de faixas de nomes como Caetano Veloso e Ney Matogrosso.

A montagem confere uma atenção especial aos comentários ácidos e bem humorados de Suassuna sobre a política e a religião, injetando atualidade ao texto escrito em 1955 e alçado anos depois a clássico do teatro popular brasileiro.

Essa contemporaneidade também resvala nos figurinos, que incorpora tons terrosos em referência às tragédias de Mariana e Brumadinho.

Serviço:

No Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel.: 3871-7700). De qui. a sáb., às 21h; dom., às 18h. R$ 40. Até 1º/9.


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