Marcelo Jeneci fala sobre 'Guaia', seu primeiro álbum desde 2013

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo

“Guaia”, nome do terceiro disco de Marcelo Jeneci, remete à periférica região de Guaianases, em São Paulo, onde o músico nasceu. O álbum também incorpora sonoridades nordestinas, lugar de onde sua família saiu.

Ao mesmo tempo em que fala sobre origens, o novo trabalho reflete ainda uma transformação. Desde o lançamento de “De Graça” (2013), o artista deixou o caos urbano paulista para morar próximo à floresta da Tijuca, no Rio. Tudo isso fez com que “Guaia” representasse um encontro de Jeneci consigo mesmo, algo traduzido para o público em parcerias com nomes como Arnaldo Antunes, Chico César e Luiz Tatit e arrematadas pelo produtor Pedro Bernardes.

A obra tem faixas marcantes na voz do artista, como “Redenção” e “Aí Sim”. Apesar disso, a abertura fica por conta de um canto indígena, “Emergencial”, enquanto a música derradeira, “Ritos”, surge sem letra, valorizando a melodia. O disco será lançado com show no Sesc Pompeia neste sábado (3), às 21h30, e domingo (4), às 18h30. Os ingressos custam R$ 30.

Como suas origens se encontram aqui com a mudança por qual você passou?
Todo mundo tem uma história forte para contar. Nossas raízes é que dão singularidade para a gente. Quando mudei do urbano para o florestal, fiz contato com minha própria densidade. Isso me fez valorizar muito o oceano que já carrego. Pedro Bernardes foi o grande responsável por chegarmos no lugar onde eu queria. Tudo no disco foi feito para preencher a cena daquilo que a música já dizia. Está tudo lá: os novos signos e os que me acompanham desde a infância.

Você fez o disco sem banda. Como foi esse processo?
Foi libertador, porque pude lidar com o desconhecido na criação, e isso só aconteceu porque o processo foi caseiro. Gravamos na minha casa e na do Pedro e encontramos o [produtor] Lux Ferreira. Entendemos que esse era um caminho que levaria meses e que aquele cômodo era um mundo inteiro. Isso nos fez recobrar o tipo de presença de quando éramos crianças.

Li que você preza pela excelência. O que isso significa?
A ciência sonora da maioria das produções feitas no Brasil sofre, como se os discos produzidos fora fossem de uma qualidade sonora melhor. Luto sempre contra isso. Busco esse cuidado para dizer que, aqui no Brasil, isso é possível. É uma sina para mim chegar num acabamento e numa profundidade que me convença.

Você não aparece na linha de frente das faixas que abrem e fecham o disco. Por que esse desprendimento?
Quando percebi que “Emergencial” precisava da voz de um povo indígena, isso elevou essa música para um lugar muito maior do que a minha própria realização. E para mim, como compositor, é importante afirmar que nem toda música precisa de letras. Isso dá um sentido infinito de interpretação a “Ritos”. É o estado líquido da música, que merece ser reverenciado.

Marcelo Jeneci Marina Benzaquem/Divulgação
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