Preguiça de Macunaíma se torna ação em musical no Sesc Vila Mariana

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo

Parece contraditório, mas foi a preguiça de Macunaíma que colocou Bia Lessa em movimento para levar aos palcos sua versão da história do clássico personagem de Mário de Andrade (1893-1945).

“Talvez uma das ações mais revolucionárias hoje seja parar com essa correria atrás desse valor que é o dinheiro. De alguma forma, dizer ‘ai que preguiça!’ é uma ação extraordinária diante desse mundo”, defende a diretora de “Macunaíma – Uma Rapsódia Musical”, que estreia hoje no Sesc Vila Mariana.

Com adaptação de Verônica Stigger, a peça é fruto da parceria de Bia – recém-saída de uma premiada adaptação de “Grande Sertão: Veredas” – com a Cia. Barca dos Corações Partidos, famosa por obras como “Gonzagão” (2012) e “O Auto do Reino do Sol” (2017).

O espetáculo também marca o reencontro da diretora com sua própria história: ela esteve em uma das várias montagens antológicas do romance feitas, a partir de 1978, por Antunes Filho, morto em maio aos 90 anos.

“Ele tirou o verde e amarelo com bananas e fez um Macunaíma quase preto e branco, mas o Brasil estava todo ali, dentro de uma estética contemporânea”, lembra.

O percurso adotado por Bia, por sua vez, valoriza mais a universalidade do texto do que a brasilidade do “herói sem nenhum caráter” descrito por Andrade. “Acho que, hoje em dia, a própria ideia de país é um pouco empobrecida. Estou interessada na humanidade como um todo.”

O corpo é central na construção desse discurso, apresentado com os atores nus e em uma ação incessante.

“O que me interessa no Mário é o labirinto que ele faz de uma coisa atrás da outra, e isso é bonito porque, ao mesmo tempo que Macunaíma é triste, ele é uma potência de vida. É como se ele fosse o máximo do otimismo e do pessimismo junto, e é assim que eu me encontro: absolutamente desiludida, mas descobrindo que a vida pulsa e toma outras formas”, diz ela.

Serviço

No Sesc Vila Mariana (r. Pelotas, 141, tel.: 5080-3000).
Estreia nesta sexta (19), até 15 de agosto.
Qua., às 15h; de qui. a sáb., às 20h; dom., às 18h.
R$ 50.

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