Fatih Akin fala sobre filme 'O Bar da Luva Dourada': 'violência sexual existe e está aí'

Premiado diretor alemão defende retrato cru da maldade feito em ‘O Bar da Luva Dourada’, que dividiu opiniões no último Festival de Berlim ao apresentar serial killer de prostitutas idosas na Hamburgo dos anos 1970

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo

É difícil ficar indiferente a “O Bar da Luva Dourada”, mais novo filme de Fatih Akin, que estreia nesta quinta-feira (18). Povoado de personagens grotescos e calibrado com duras cenas de violência sexual, o longa causou mal estar ao ser exibido no último Festival de Berlim. O diretor alemão defende essa abordagem para nos apresentar Fritz Honka, serial killer que atacava prostitutas idosas em Hamburgo, nos anos 1970. “A violência sexual existe e está aí”, diz ele, que acertou ao escalar como protagonista o jovem Jonas Dassler, “enfeiado” para o papel.

Por que essa abordagem sanguinolenta?
Quando decido filmar algo, sigo meu instinto. Via muitos filmes de terror e imaginava: será que consigo fazer do meu jeito? Mas a verdade é que não sei porque faço certas coisas.

Mas toda essa violência acaba nem sendo vista, já que as pessoas viram o rosto…
Se você faz um filme sobre restaurantes, você filma pessoas cozinhando. Este filme é, acima de tudo, sobre um serial killer. A violência sexual existe e está aí. Quando decido fazer algo, o “como” me interessa mais que o “por que”. Creio que, se trabalhar no “como”, encontrarei um jeito de mostrar o “por que”.

Li que, para você, este é um filme sobre feiúra. Qual o papel dela no mundo?
Nunca usei esse termo. O que para os outros é feiúra, para mim é beleza. Acho as pessoas do filme – especialmente as mulheres – bonitas. Vejo a gravidade agindo nelas. Para mim, esse é um sinal de vida. A reação da sociedade em relação a isso me diz mais sobre ela do que sobre o filme.

Jonas Dassler é um achado. Como você o orientou?
O corpo é algo interessante para mim, então passamos muito tempo falando sobre linguagem corporal e como fotografá-la. Além disso, Jonas é um sujeito de muita fisicalidade. O resto veio por si só. Tentamos ao máximo não deixar o cara simpático, mas, ao mesmo tempo, queríamos atrair o público para ele. Torço para ter conseguido isso.

Fatih Akin O diretor alemão Fatih Akin / Andreas Rentz/Getty Images
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