Pouco publicado no Brasil, Andrea Camilleri era dono de uma prosa fácil

Por Luiz Rivoiro, editor-chefe do Metro Jornal

Infelizmente pouco publicado por aqui, o escritor italiano Andrea Camilleri nos deixou ontem. Dono de uma prosa fácil, ambientou seus romances policiais sob o sol da Sicília, no sul da Itália, tendo o comissário Salvo Montalbano (nome escolhido em homenagem a outro autor policial, o espanhol Manuel Vásquez Montalbán) como personagem principal.

Na pequena e imaginária Vigàta (inspirada na sua cidade natal, Porto Empedocle), o solteirão convicto Montalbano enfrenta casos intrincados ao lado de assistentes caricatos (um deles, por exemplo, se comunica no arcaico dialeto local), Lívia, sua namorada à distância, e uma cozinheira que, como uma boa ‘mama’, cuida para que ele sempre tenha algo pronto e saboroso para devorar na geladeira.

A gastronomia, por sinal, com pratos sempre descritos em detalhes, são outro ponto alto das desventuras do comissário (como não salivar diante de salmonetes ao azeite acompanhados de um vinho branco siciliano degustados na sacada de casa com vista para o mar numa noite quente de verão?).

Em suas histórias, o inspetor frequentemente se vê obrigado a lidar com as enraizadas tradições da ilha, sua história sangrenta, o rigor religioso e os hábitos conservadores que interferem de forma direta na condução do caso e busca pelo assassino da ocasião.

Camilleri conduz tudo isso com extremo bom-humor e uma escrita que, aparentemente simples, tem a virtude de instigar o leitor ao longo de suas tramas, deixando sempre com o gostinho de quero mais. Ao todo, foram mais de 100 livros, 27 com Montalbano, traduzidos para 32 idiomas, além de uma série para a TV Italiana. Desses, foram lançados no Brasil, todos pela Record, ‘A Forma da Água’ (o primeiro com o inspetor), ‘O Cão de Terracota’,

‘A Caça ao Tesouro’ e ‘A Primeira Investigação de Montalbano’, além de ‘Água na Boca’ (Bertrand Brasil), curioso exercício literário que une Montalbano e Grazia Negro, personagem do também italiano Carlo Lucarelli, numa instigante trama policial escrita a quatro mãos.

Nascido em 1925, Camilleri tinha 93 anos e estava internado desde junho, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória em sua casa em Roma, onde vivia

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