A linha de roupas íntimas de Kim Kardashian que criou debate diplomático entre EUA e Japão

Por Metro Jornal

O anúncio de uma linha de roupas íntimas modeladoras criada por Kim Kardashian criou um intenso debate sobre apropriação, cultura e comércio nas redes sociais. Agora, a questão forçou até mesmo um encontro entre autoridades de patentes dos governos do Japão e Estados Unidos.

Na última semana, a estrela de reality show e empresária Kim Kardashian divulgou o lançamento de uma coleção de modeladores – roupas que simulam a cor da pele e, usadas sob outras roupas, ajudam a valorizar a silhueta corporal. A modelo já havia comercializado roupas íntimas, moda feminina e até corsets para usar na academia; no entanto, o anúncio chamou atenção pelo nome da marca.

LEIA MAIS:
Paulo Betti vai recorrer após perder eleição de sindicato para chapa de Milton Gonçalves
Morre príncipe dos Emirados Árabes Unidos que trabalhava como estilista em Londres

Kim chamou sua coleção de "Kimono" – que, em sua opinião, era apenas um jogo de palavras a partir de seu nome. No entanto, a palavra tem significado cultural forte para a comunidade japonesa e descendentes, e a confusão começou aí. Nas redes sociais, a influenciadora foi duramente criticada, acusada desde insensibilidade até apropriação cultural. Parte do debate também girou em torno da tentativa da norte-americana em transformar a palavra em uma marca comercialmente registrada, sob seu nome.

A intriga logo ultrapassou a internet e chegou ao mundo real, com o prefeito da cidade de Quioto, antiga capital imperial japonesa, enviando uma carta à estrela para abordar o uso da palavra "kimono". Daisaku Kadokawa explicou que "o kimono é um traje étnico tradicional criado pela riqueza de nossa história e nossa natureza", e pediu que Kim reconsiderasse o nome. Educado, Kadokawa ainda convidou-a para visitar a cidade e conhecer sua cultura.

kimono Jovem mulher veste um kimono tradicional / Reprodução: Unsplash/Bruno Aguirre

Na segunda-feira (1), a empresária anunciou no Instagram sua decisão de trocar o nome da coleção, após uma "reflexão cuidadosa". Ela reiterou ter escolhido "Kimono" com as melhores intenções possíveis, e agradeceu as "paixões e perspectivas distintas trazidas à ela". Sua linha de roupas modeladoras será relançada com novo nome em breve.

No entanto, o debate não encerrou por aí: nesta terça-feira, mesmo após o anúncio de Kim Kardashian, o ministro do Comércio do Japão afirmou que enviará autoridades de patentes aos Estados Unidos para discutir a questão. Em coletiva de imprensa em Tóquio, Hiroshige Seko disse querer um "exame cuidadoso" do problema, e defendeu que "o kimono é visto em todo o mundo como parte distinta de nossa cultura". "Mesmo na América, sabe-se bem que o kimono é japonês", apontou.

Executivos de patentes serão enviados pelo governo japonês ao Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos EUA em 9 de julho para "trocar opiniões sobre a questão".

Enquanto o imbróglio diplomático se desenrola, Kim já voltou à programação normal em seu Instagram, um dos principais meios de comunicação da modelo com seu público e clientes. Em seus stories, ela ocupou-se em divulgar outros dois produtos sob seu nome: sua linha KKW Beauty de corretivos faciais, e seu jogo oficial de smartphone, Kim K Hollywood.


Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo