Mulheres são destaque entre lançamentos da MPB nas últimas semanas

Por Metro Jornal

Um bombardeio delas: cinco artistas lançaram seus novos trabalhos nas últimas semanas, valorizando a MPB e o espaço da mulher brasileira na música. Para quem é fã ou conhece só os hits, é uma boa oportunidade de se aprofundar no momento atual de cada uma. Confira!

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Zélia Duncan

Dez anos depois de “Pelo Sabor do Gesto”, a artista volta a investir em um disco só de inéditas com “Tudo É Um”, trabalho de viés um tanto folk e de valorização da canção, representando um reencontro de Zélia com o início de uma carreira que, nos últimos anos, se dedicou a obras de grandes mestres, como Itamar Assumpção e Luiz Tatit.

Com um pé no pop, a cantora transita confortavelmente nesse perfil desde a abertura, com “Canção de Amigo”, composta ao lado de Christiaan Oyens, com quem ela dirige o álbum, recheado de reencontros que resultaram em sucessos no passado. Há faixas criadas ao lado de Zeca Baleiro (“Me Faz uma Surpresa” e “Medusa”), Paulinho Moska (“Feliz Caminhar”) e Chico César (“Tudo É Um”). O clima, em geral, é de tranquilidade e delicadeza, fortalecendo o ouvinte para a seguir em frente a partir da música.

Ouça:

Zélia Duncan Roberto Setton/Divulgação

Vanessa da Mata

Cinco anos depois de “Segue o Som”, Vanessa da Mata renova o repertório com “Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina”, seu quinto álbum de estúdio, gravado ao lado da guitarra de Davi Moraes e da bateria de João Barone.

Este é o primeiro disco produzido pela cantora, que aposta em toadas tropicais para embalar canções leves e dançantes, com letras sobre romances contemporâneos, como se ouve na crítica “Nossa Geração” e na simpática “Só Você e Eu”.

Um dos destaques é a inusitada participação de Baco Exu do Blues na ensolarada  e cheia de baianidade “Tenha Dó de Mim”, além da faixa-título, embalada por uma toada reggae que pede “Mais amor, por favor”. Os ritmos jamaicanos, aliás, também se fazem presentes em “Dance um Reggae Comigo” e no ska de “Ajoelha e Reza”. O fato é que, em todas as 11 novas canções, Vanessa parece apontar o amor como a única solução possível para o mundo de hoje.

Ouça:

Vanessa da Mata Rodolfo Magalhães/Divulgação

Adriana Calcanhotto

“Margem” começa quase como um espanto, na forma de um samba dançante que já abre com seu refrão. A falta de maiores apresentações tem motivo: este é o fim de uma trilogia em torno de temáticas marítimas já iniciada por Adriana Calcanhotto com “Marítimo” (1998) e “Maré” (2008).

A cantora e compositora retoma esse ambiente após uma residência em Portugal e um mergulho no modernismo brasileiro e seus desdobramentos no tropicalismo. Ela vem acompanhada de Bem Gil, Rafael Rocha, Bruno Di Lullo, que a ajudaram no processo de evocar um “estado de mar” em canções como a romântica “Dessa Vez” e a dançante “Lá lá lá”, com um inteligente jogo de palavras ao ritmo de um carimbó leve.

Há canções antigas de autoria dela, mas nunca gravadas na sua voz, como “Tua” e “Era pra Ser”, feitas para Maria Bethânia, além de “Os Ilhéus”, de José Miguel Wisnik, e “O Príncipe das Marés”, de Péricles Cavalcante.

Ouça:

Adriana Calcanhotto Murilo Alvesso/Divulgação

Clarice Falcão

A carreira de cantora de Clarice Falcão ganha um ponto de inflexão com “Tem Conserto”, seu terceiro álbum de estúdio. Se antes a música surgia quase como um spin-off de sua carreira de atriz, transitando entre o humor e a fofura, ela parece agora querer ser levada a sério ao falar de temas complicados, como depressão e ansiedade.

É o que se ouve, por exemplo, na canção de abertura, a soturna “Minha Cabeça”, na qual ela canta versos como  “Minha cabeça não é flor que se cheire/ Não é minha parceira / Não faz nada que eu peço”. O tema escorre ainda por canções como “Morrer Tanto” (“Eu queria tanto, parar de morrer tanto”) e na faixa-título, que fecha o disco com algum tom de esperança ao anunciar “Tô quebrada, mas tem conserto”.

Tudo isso é embalado por outra novidade: uma sonoridade eletrônica, produzida por Lucas de Paiva, que alterna as músicas entre certo clima de mistério e outro mais dançante, como em “Horizontalmente” e “Dia D” – a balada mais bem humorada de todas e que também já nasce como um hit preparado para as pistas.

Ouça:

Clarice Falcão Pedro Pinho/Divulgação

Alice Caymmi

A sensação de ouvir “Electra” é a de estar em um piano bar diante de uma intérprete que não precisa de muito para apresentar a verdade de sua música. Dona de uma das vozes mais interessantes da música brasileira nos últimos anos, Alice Caymmi se despiu do pop de “Alice” (2018) e reduziu seu quarto álbum ao mínimo necessário. Estão presentes apenas o grave canto dela e o piano de Itamar Assiere, e o resultado é um álbum intenso e emocional.

Ao lado do produtor Zé Pedro, a neta de Dorival Caymmi garimpou faixas de outros compositores em torno de temas como desilusões amorosas e abandono, evocando por vezes a dramaticidade de Maysa (1936-1977). São dez músicas de origens muito distintas, que vão do samba ao fado, costuradas pela forte capacidade de Alice de interpretar o que canta com sinceridade. O resultado é uma seleção que vai de Tim Maia (“Pelo Amor de Deus”) ao antigo duo Letuce (“Areia Fina”), passando por Tom Zé (“Mãe Solteira”), Fagner (“Fracassos”) e até o próprio pai, Danilo Caymmi (“Aperta Outro”).

Ouça:

Alice Caymmi Gustavo Zylbersztajn/Divulgação

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