Gloria Groove: ‘O cenário político me coloca na oposição, mas o que faço transforma vidas’

Por Angela Corrêa - Metro Jornal

Neste domingo (23), Gloria Groove é uma das principais atrações da 23ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, fechando um período agitado, com o lançamento do single “YoYo”, com IZA, e da turnê que passa também por Portugal e Irlanda. Com tanto barulho, parece que faz muito tempo que a drag queen de 24 anos está na ativa, mas, apesar de a carreira artística ter começado na infância, foi há quatro que a coisa engrenou.

“Vai ser muito ‘nenê’ o que eu vou falar, mas a primeira vez que eu estive na parada LGBT da minha cidade já foi como Gloria Groove”, contou a cantora horas antes de subir ao palco do Audio Club, em São Paulo, onde deu o pontapé na para a #Fase3Tour na última quarta-feira (19).

E isso não foi por acaso. “Antes de ser drag queen eu não tinha esse núcleo. ‘Essas são as minhas gays, são as minhas gays do coração, é a turma com quem eu ando, é com quem eu me identifico’”, afirmou GG, conhecido por seu nome de batismo Daniel Garcia no mercado da dublagem (recentemente, dublou e gravou trilha sonora do live-action de “Aladdin”).

“Eu não tinha ainda esse senso de comunhão com as pessoas da minha comunidade, da minha pauta, então eu tive sorte de ter a primeira experiência na parada LGBT de São Paulo já em cima de um trio, como Gloria Groove, vendo 3 milhões de pessoas cantando a minha música”, explicou.

Drag music?

Recentemente, Gloria Groove superou Pabllo Vittar como a drag mais ouvida no Spotify, plataforma que mede bem a popularidade dos artistas brasileiros. “Para mim é muito maluco pensar no quanto as drags brasileiras chacoalham mesmo a indústria e desafiam o comportamento, a gente não vê essa linha entre o que é música e o que é música feita por drag queens”, comentou a cantora.

“A gente não enxerga o conceito de ‘drag music’. Estamos lá disputando as playlists e as charts com os grandes artistas. Isso significa que nosso trabalho tem uma potência muito maior do que a gente mesmo imagina”, completou.

A exposição tornou a drag queen símbolo de representatividade do movimento, mas também a colocou numa posição de vidraça. Mas há objetivos maiores. “Eu sinto que se eu tivesse medo de fazer o que eu faço, de ser quem eu sou, esse medo teria um efeito completamente paralisante. Tenho mais do que mil motivos pra achar que o próprio cenário político do meu país me coloca na oposição, mas eu não consigo pensar no quanto o que eu faço agrega e transforma a vida de pessoas mais jovens do que eu”, afirmou.

Neste mês do Orgulho LGBT, o desejo é celebrar isso. “Vai ser maravilhoso nesse domingo ter a sensação de que ‘é isso aí, ainda tamo aqui, tamo trabalhando e vamo continuar’”, contou.

 

 


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