Em ‘Elegia do Irmão’, autor usa escrita poética para narrar o adeus diante da morte

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo
capa elegia do irmão

As relações fraternais não costumam ser tratadas na literatura de forma lá muito carinhosa. Essa, no entanto, é a lente a partir da qual o escritor João Anzanello Carrascoza resolveu estruturar o recém-lançado “Elegia do Irmão”.

O romance é narrado por um homem na casa dos 30 anos diante de uma notícia que vai fazê-lo mudar a forma de perceber tudo. Sua única irmã, Mara, está gravemente doente, e esse fato evoca nele uma série de lembranças.

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“Ter irmãos é o princípio de uma compreensão do outro. Quis focar na construção de uma harmonia possível. Quando essa pessoa se vai, esse mundo passa a pertencer só a você, e isso é uma grande solidão”, afirma o escritor, que cresceu ao lado de cinco irmãos em Cravinhos, no interior de São Paulo.

Conhecido por sua escrita sempre muito sensível, Carrascoza costuma explorar relações afetivas em suas obras, como em “Trilogia do Adeus”. Ele já se inspirou várias vezes no amor entre casais, pais e filhos, avôs e netos, mas o elo fraternal é inédito para si.

Em “Elegia do Irmão”, ele reconstrói a vida de Mara em trechos curtos, sem cronologia definida, a partir do fluxo de consciência do sujeito afetado pela perda iminente. Esses fragmentos são montados de forma que a leitura avulsa dos capítulos ainda faça sentido, honrando as origens do autor como contista.

“Você não consegue flagrar o todo diante de si. Você vai pegando aos poucos. O que ele faz são pequenos grupos de considerações, apreensões, observações e relatos daquilo que ele está sentindo. Linguagem é reconstrução.”

O romance é apresentado em duas partes divididas, justamente, pela morte. Apesar disso, o autor fez questão de não relatar o episódio fatídico. Seu objetivo, mesmo diante de uma temática dolorosa, é ressaltar o que há de luminoso nessa experiência.

“A perda é inevitável. A consciência de que tudo é finito é que faz você evocar o bom de ter vivido aquelas histórias e desfrutar com todas as forças o presente. Por isso acho que essa é uma história de amor e de valorização da vida”, afirma o autor.


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