SPCD abre temporada com criações que refletem sobre o contemporâneo

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo

Diferentemente da música ou do cinema, a dança só acontece no presente, quando um bailarino se move e um público o assiste. Faz todo sentido, portanto, que a temporada deste ano da São Paulo Companhia de Dança (SPCD) seja movida por diferentes acepções desse termo.

O primeiro programa, que estreia nesta quinta-feira (6), no Teatro Sérgio Cardoso, reúne duas criações inéditas de coreógrafos que já têm obras suas no repertório da companhia.

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Em “Agora”, Cassi Abranches reinterpreta a sinuosidade e a dinâmica herdadas dos anos como bailarina do Grupo Corpo para falar sobre a ideia de tempo.

“Abri o dicionário e descobri uma infinidade de possibilidades. Podia falar de tempo verbal, musical, cronológico meteorológico…”, explica ela, que convidou o músico Sebastián Piracés, da banda Francisco, el Hombre, para compor a trilha sonora.

“Acho que a banda traz um frescor muito legal, ela tem uma coisa irreverente e, ao mesmo tempo, quente. Senti que queria aquela energia.”

Ao longo de três movimentos, 12 bailarinos ficam quase sem ar para evocar possibilidades de tempo. “Quis fazer um balé sem pausas porque, assim como na vida, o tempo não para. Você pode pensar para trás ou para frente, mas não congela”, diz Cassi, que já assinou para a SPCD as obras “Gen” (2014) e “Schumann ou Os Amores do Poeta” (2018).

A segunda peça da noite vem de Édouard Lock, que se consolidou como um dos mais inventivos coreógrafos canadenses com o grupo La La La Human Steps.

Depois de criar “The Seasons” (2014) para a companhia brasileira, ele retorna agora com a pré-estreia de “Trick Cell Play”. A obra fala sobre relações contemporâneas a partir da desconstrução de óperas românticas.

Trick Cell Play SPCD ‘Trick Cell Play’, de Édouard Lock, completa o primeiro programa apostando na desconstrução de óperas românticas para falar de relações e memórias coletivas / Édouard Lock/Divulgação

“O título não tem uma tradução direta, mas as palavras para ele remetem a ‘trick’ (ilusão), ‘cell’ (células) e ‘play’ (teatro)”, diz Inês Bogéa, diretora artística da SPCD.

“Lock ampliou as complexidades das relações entre os intérpretes e trouxe, além das sapatilhas de ponta, os sapatos altos, criando assim novas sensações de equilíbrios e desequilíbrios no corpo. É uma obra intensa, forte, que traz para a cena muitas relações humanas”, completa.

Já o segundo programa, que vai do dia 13 ao 16, é composto por obras criadas no século 20 – “clássicos modernos”, segundo Inês –, mas que conversam com o presente.

São elas “A Morte do Cisne”, por Lars van Cauwenbergh; “Pulcinella”, de Giovanni di Palma; e “Suíte para Dois Pianos”, de Uwe Scholz.

A Morte do Cisne A estreia de ‘A Morte do Cisne’, de Lars van Cauwenbergh é destaque do segundo programa, que acontece entre os dias 13 a 16/6. “Essa versão traz mais ondulações de troncos e mantém o deslizamento pelo palco e a ideia de movimentos das asas do cisne”, destaca Inês Bogéa, diretora artística da SPCD. O programa se completa com ‘Pulcinella’, de Giovanni di Palma, e ‘Suíte para Dois Pianos’, de Uwe Scholz / João Caldas/Divulgação

Serviço
No Teatro Sérgio Cardoso (r. Rui Barbosa, 153, Bela Vista, tel.: 3288-0136). Estreia quinta. De qui. a sáb., às 20h; dom., às 17h. De R$ 40 a R$ 65. Até 16/6.


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