'Rio da Lua': Lô Borges lança primeiro álbum de inéditas em oito anos

Por Paulo Borgia - Metro São Paulo
Lô Borges

O disco “Rio da Lua”, o primeiro de inéditas em oito anos, traz mais do que um Lô Borges inspirado musicalmente. Ele marca o reencontro de um amigo de décadas atrás, Nelson Ângelo, que se tornou agora um parceiro de composição.

Importante músico na criação do Clube da Esquina e de álbuns de artistas marcantes de Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, entre outros, Ângelo era muito próximo de Lô, mas os dois brigaram no começo da década de 1970 e nunca mais se falaram. O reencontro aconteceu no ano passado, no Circo Voador, no Rio, na turnê do primeiro disco de Lô Borges, o conhecido “disco do tênis”, no qual Nelson toca guitarra.

Comovido pelo reencontro, que teve a presença de Milton e Ronaldo Bastos, Ângelo chegou em casa e imediatamente escreveu um texto, prontamente enviado a Lô pelo WhatsApp. “O encontro com o Nelson acabou incitando nossa parceria. Não foi nada combinado. Ele mandou esse texto, eu musiquei, pedi para ele mandar mais e acabou mandando outras dez”, conta Lô, que batizou a canção de “Partimos”, uma letra que fala de tempo perdido, mas esperança no recomeço: “os tempos da esperança / são também de solidão / é hora de dizer qual foi, qual é, e pergunta o quê será?”.

Essa parceria mudou o modo com que Lô Borges cria seus discos. Antes, colocava suas letras em cima de músicas desenhadas. Dessa vez ele musicou todas as composições de Ângelo.

“Eu recebia as letras do Nelson e musicava tudo em 40 minutos. No outro dia eu tocava e, em menos de 24 horas, a música tava pronta”, conta o músico, que buscou inovar na composição. “Busquei acordes novos, que nunca havia tocado, muito fora do meu padrão. Até hoje eu tenho dificuldade de tocá-los”, revela.

E, assim como no começo dos anos 1970, com o lançamento do “disco do tênis”, e agora, com “Rio da Lua”, mais um ponto em comum dá liga a música: “a conexão entre eles é a urgência”, explica Lô, em uma possível reflexão na busca por um tempo perdido.

Ouça o álbum "Rio da Lua", de Lô Borges:


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