O Mau Exemplo de Cameron Post: Chloë Moretz estrela filme sobre 'cura gay'; leia entrevista

Por Matt Jull - Metro Internacional

Os horrores da terapia de conversão para membros da comunidade LGBTI são apresentados em “O Mau Exemplo de Cameron Post”, que estreou após ter vencido o grande prêmio do júri do Festival de Sundance no ano passado. O novo filme põe Chloë Grace Moretz como uma adolescente forçada a ingressar em um centro de tratamento cristão para “curar” a atração que sente por outras garotas.

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Dirigido por Desiree Akhavan, o filme sofreu para conseguir distribuição a despeito de sua premiação. No Brasil, um longa de temática semelhante – “Boy Erased” – teve seu lançamento cancelado no circuito comercial, ficando restrito ao mercado de home video. Conversamos com Moretz sobre a controvérsia em torno desse tipo de terapia e diversidade em Hollywood.

O que a surpreendeu mais no discurso de quem sobreviveu a essas terapias?

Eu queria retratar de forma adequada as cenas de terapia de conversão e, para isso, me envolvi verdadeiramente na psicoterapia. Foi muito importante para mim descobrir o que era essa apropriação da construção de gênero que é usada como arma de manipulação de jovens. Uma das primeiras perguntas que fiz aos sobreviventes foi se eles realmente tentaram [se converter] ou perceberam quão hipócrita era aquilo. A resposta unânime foi de que todos se comprometeram e tentaram ao máximo. Foi apenas cinco ou seis anos depois que eles perceberam que as pessoas naquela posição de poder não tinham qualquer educação confiável para usar psicoterapia daquela maneira.

É interessante ver como a linguagem é cooptada para entrar na cabeça dos outros.

O problema é o conteúdo e o que eles tentam fazer: manipular. Esses acampamentos são uma forma perversa de manipulação. Nem todos fazem terapia de choque e de reversão de forma agressiva. É preciso uma abordagem muito mais insidiosa e silenciosa para fazer essas pessoas abrirem uma portinha dentro delas e duvidarem de si mesmas. A partir disso, elas deixam entrar essa mentalidade que os faz odiar a forma como elas nasceram.

O que está faltando nos diálogos sobre diversidade?

Acho que faltam perspectivas. Escolhi fazer esse filme porque confiei em Desiree [Akhavan, diretora]. Ela é iraniana e bissexual, e eu sabia que ela entendia o que era adversidade e que seria capaz de retratar essa história sob uma perspectiva diferente. Escalamos um elenco de diferentes etnias e trajetórias, porque esses procedimentos de conversão não discriminam ninguém. Queríamos isso no nosso filme. Essa é uma história que precisa ser contada, e fico feliz que seja pelas lentes de Desi.


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