‘É lindo unir o erudito e o popular’, diz Elba Ramalho sobre seu álbum mais recente; leia entrevista

Por Alex Ferreira - Metro Belo Horizonte
capa o ouro do po da estrada

“Quanto mais regional, mais universal”. Assim Elba Ramalho define sua música. Após quase quatro décadas de estrada, a paraibana, que carrega em si a essência nordestina, segue cada vez mais plural. Seu mais recente trabalho, “O Ouro do Pó da Estrada”, é prova clara da sua síntese musical: com 13 faixas, o disco é um delicioso amálgama sonoro que funde baião, forró, MPB e até mesmo arranjos clássicos – como os que o maestro Arthur Verocai compôs para “Girassol”, releitura do sucesso do Cidade Negra.

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Em seu disco, “O Ouro do Pó da Estrada”, você flerta com arranjos da música clássica. Pode se esperar uma inserção maior do universo erudito no seu trabalho?

Há três anos eu lancei um CD/ DVD que se chama “Cordas, Gonzaga e Afins”, que conta com esses elementos que você cita. Meu último disco, “O Ouro do Pó da Estrada”, que acaba de ser lançado, também tem arranjos de cordas em diversas faixas, com destaque para um em especial feito pelo maestro Arthur Verocai para uma linda releitura da canção “Girassol”, do Cidade Negra. Me encanta essa mistura sonora. É lindo unir o erudito e o popular. Traz uma riqueza sem fim para o público.

Você foi uma das atrações deste ano do Música em Trancoso, festival que se destaca por ser um veículo que impulsiona a formação e educação artística.  Que importância você enxerga no projeto e como surgiu seu interesse em participar da edição?

É um projeto da maior relevância. Acho muito importante incentivar os jovens e oferecer música de qualidade. Trancoso é minha segunda casa e poder prestar uma homenagem ao meu querido Dominguinhos dentro da programação do Música em Trancoso foi uma oportunidade fantástica. Dominguinhos está no mesmo nível dos maiores instrumentistas e compositores do nosso país. Tenho muito orgulho de ter sido amiga e ter gravado mais
de 30 canções dele.

Sua obra é marcada por um elemento cultural rico e abrangente. Acha que a mesma comunhão pode servir de combustível para atrair o interesse do público da MPB pelo clássico?

Certamente que sim. Eu penso que quanto mais regional o trabalho, mais universal ele se torna. Para mim, não se deve fazer esta distinção entre música popular e clássica. Penso que existe somente música boa e música ruim. Tenho acompanhado diversos projetos de artistas populares se apresentando com orquestras. Eu já me apresentei em diversas ocasiões também, interpretando um repertório popular, acompanhada por sinfônicas. É uma mistura rica e belíssima.

Como você enxerga o papel da internet e de plataformas online para a difusão do trabalho de músicos?

Definitivamente, estamos na era digital. Antigamente, você só faria um disco se fosse contratado por uma gravadora. Hoje em dia, as novas tecnologias permitem que todos estejam acessíveis. Acho mais democrático e justo esse sistema. O importante, porém, é saber que a música hoje em dia pode alcançar a todos com mais abrangência.


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