Lollapalooza: Emocionada, Liniker 'termina' show do ano passado, interrompido por problemas técnicos

Por Juliana Santos - Metro Jornal

A última aparição de Liniker no Lollapalooza pode ter acabado em tom de lamentação, porém a cantora e seus Caramelows demonstram tudo menos negatividade ao subir ao palco Ônix neste sábado (6), segundo dia do festival Lollapalooza Brasil.

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Em 2018, a apresentação de Liniker e os Caramelows acabou sendo interrompida por problemas técnicos na aparelhagem de som do festival. No dia, faltando apenas três canções para o fim do show, a banda retornou ao palco após uma pausa e a cantora, em lágrimas, anunciou que não poderia concluir o set.

“A gente voltou aqui pra terminar esse show, e a gente vai terminar”, enuncia a vocalista após a canção de abertura, “vocês acabam de adentrar a nossa magia”. Destaque para o figurino de Liniker: um vestido roxo de babados, perfeitamente solar, elegante e despojado ao mesmo tempo. A peruca de joias com que entrou não durou muito tempo, dando lugar ao cabelo raspado característico da nova fase da cantora.

Trajando uma coordenação de cores que poderia até ser vista como brega, mas acaba dando unidade e plasticidade ao grupo, os seis sobem ao palco com energia, alegria e mais maturidade do que no ano anterior. Com um estilo mais bem definido, Liniker traz canções do álbum mais recente, “Goela abaixo”, lançado ainda neste ano.

“Boca”, um som com forte influências de soul e R&B, mostra a evolução da habilidade vocal da cantora, e tem acompanhamentos em palmas pela plateia – algo que se repete em diversos momentos durante o show.

A plateia, inclusive, demonstra forte apreço pela figura de Liniker, talvez construído por sua atuação na causa LGBT, no empoderamento feminino, e mesmo no movimento da “lacração”; que, no entanto, parece estar cada vez mais longe da identidade do grupo.

Mas não é apenas de militância que se constrói o show: as canções e a simpatia de Liniker e os Caramelows são capazes de conquistar e envolver até quem não poderia estar mais distante destas pautas em uma vibe de tarde ensolarada, pacífica, alegre.

O trompete de Gabriel Munhoz e a voz melódica de Renata Éssis e Estela Paixão, no backing, são pontos marcantes nas canções. Embora o vocal de Liniker demonstre algum cansaço ou rigidez em notas mais complexas, a maior parte das canções – a deliciosa “Calmô”, que integrou o set, por exemplo – fica em uma extensão bossa-nova, menos gritada, que casa perfeitamente com a aura da cantora.

O show atrai uma multidão considerável para o horário, sendo um dos primeiros do dia, e de atração nacional. Ela é mesclada entre fãs mais devotos da cantora, que cantam junto, batem palmas a toda canção e tremem o chão ao ritmo da banda, e aqueles que ficam pela vibe, sentados na grama, conversando ou apenas escutando em silêncio.

“Zero”, canção que alçou Liniker à fama pelo Brasil, é precedida por uma breve manifestação política. A cantora aprova e até incita os coros anti-Bolsonaro, que também estiveram presentes no show de Duda Beat, e outros na sexta-feira. No telão, após os nomes de cada membro da banda, aparecem os dizeres “Ele não”, “Ele nunca”.

A esta altura, traços de lágrimas podem ser vistos no rosto de Liniker. Mas desta vez, parece ser alegria.

O show conclui-se em uma nota muito positiva com o público, como uma verdadeira redenção, e deixa abertura para novos convites do festival para Liniker – sem necessidade de reparações desta vez.

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