Matrix completa 20 anos como grande referência da cultura pop do início do século 21

Por Metro Jornal São Paulo

Há 20 anos, Keanu Reeves precisou escolher entre tomar a pílula azul ou a vermelha. Ao optar pela segunda, ele protagonizou um fenômeno cultural que deu forma e verniz pop às inquietações que surgiram com a iminente virada do milênio.

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Dirigido pelos então irmãos Wachowski, “Matrix” colocou no caldeirão questões existenciais tipicamente humanas e as misturou com certa desconfiança em relação aos rumos da sociedade diante da evolução dos computadores, especialmente com a expectativa de um apagão tecnológico (que não se concretizou) na virada do ano 2000.

No longa, Reeves encarna um hacker que, ao tomar a tal pílula vermelha, é confrontado com a ideia de que a realidade como conhece não é real, mas uma simulação – a tal da Matrix – criada por uma inteligência artificial para ter os humanos sob seu controle.

Ao lado de Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Ann Moss), ele assume o papel de “O Escolhido” e, batizado como Neo, parte para uma jornada de libertação da humanidade embalada por muita música eletrônica, figurinos estilosos em couro e vinil e complexas coreografias de lutas orientais até então raras no cinema americano.

Para além disso, “Matrix” foi pioneiro em técnicas de computação gráfica que se tornaram praticamente um clichê do entretenimento, como o efeito “bullet time” – aquele que nos permite ver Neo desviando das balas atiradas contra ele.

Em uma era sem super-heróis, o longa também apostou no desenvolvimento de uma mitologia própria. Tudo ali tem um significado, do livro na estante de Neo às várias pensatas de Morpheus.   

O grande diferencial dos Wachowski foi apresentar todas essas novidades com aura de entretenimento ao lado de um conteúdo “cabeça”, instigando todo mundo a se questionar em alguma medida, sem precisar fazer muito esforço. Afinal, o que é o real?

Passadas duas décadas, o filme é hoje abraçado tanto por grupos de extrema direita, que se julgam detentores da tal pílula vermelha que indica o caminho da realidade, quanto pela comunidade LGBT+, que vê a aceitação de Neo da sua verdadeira condição como uma alegoria para o que passam pessoas trans, exatamente como as diretoras do filme, que fizeram uma transição de gênero anos depois.

Ao abrir margem para interpretações tão distintas e tantas inovações, “Matrix” se transformou em uma obra perene e incontornável para o cinema.  

Matrix Reprodução/Metro Jornal

Animatrix

Lançada em 2003, esta coleção de nove curtas-metragens inspirados no estilo anime apresentam fatos ocorridos antes das máquinas vencerem os humanos.

Games

Foram lançados três títulos: “Enter the Matrix”, “Path of Neo” e “The Matrix Online”.

HQs

Publicadas originalmente no site oficial do filme entre 1999 e 2003, as histórias foram compiladas em dois volumes em 2003 e 2004. Uma delas foi assinada por Neil Gaiman.

Deu ruim

O sucesso de “Matrix” foi tão avassalador que os estúdios Warner não tiveram dúvidas em apostar em sequências. Com isso, as Wachowski lançaram, em 2003, “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions”. Sem apresentar nenhum efeito especial inédito ou roteiro à altura de seu antecessor, as produções abriram mão do fator novidade que deu fama ao filme original. Apesar de terem rendido US$ 1,17 bilhão nas bilheterias, as continuações frustraram expectativas.

Apesar do fracassos de seus antecessores, um quarto “Matrix” parece estar a caminho. O roteirista Zak Penn (“Os Vingadores”) disse estar trabalhando em um script que seria mais inspirado em “Animatrix”, sem vinculação com os personagens ou a trilogia original, apostando no universo expandido da produção. Por enquanto, as irmãs Wachowski não estão envolvidas na iniciativa.

US$ 63 milhões

foi o custo do filme

US$ 463 milhões

foi o valor arrecadado nas bilheterias pelo mundo

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