'Amor em Tempos de Cólera': Vespas Mandarinas questiona o amor em novo single; assista ao clipe

Por Luccas Balacci - Metro São Paulo

A primeira música das Vespas Mandarinas com a nova formação traz uma pergunta difícil de responder. Amor em Tempos de Cólera teve single e clipe lançados na quinta-feira (14), cheios de referências e reverências aos ícones do rock e à cidade de São Paulo.

A canção era conhecida dos fãs, já que foi apresentada no ano passado durante a turnê acústica que celebrou o primeiro álbum do grupo, Animal Nacional, de 2013. Assista ao clipe, produzido pela Bori Filmes, dos irmãos Davide e Luca Bori (Vivendo do Ócio):

Com Thadeu Meneghini agora acompanhado de Michele Cordeiro na guitarra, Helena Papini no baixo e Peu Lima na bateria – gravação contou com Thiago Guerra (Fresno) nas baquetas –, o novo trabalho remete muito ao disco que consolidou as Vespas como uma das principais bandas de rock desta década.

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A música foi produzida por Lucas Silveira (Fresno) e sua composição é assinada pelo vocalista e por Adalberto Rabelo Filho, parceiro de longa data e co-autor de sucessos como Cobra de Vidro e Santa Sampa.

Vespas Mandarinas - Amor em Tempos de Cólera Capa do single "Amor em Tempos de Cólera" / Foto: Rui Mendes

"A música fala um pouco sobre esse momento de polarização que estamos vivendo. Também tem aquela coisa das redes sociais, das pessoas só quererem mostrar que está tudo bem", diz Thadeu. Sobre a pergunta do refrão – "pra que serve o amor nesses tempos de cólera?" –, o músico admite não ter uma resposta. "Muito se fala sobre o amor, mas a sua prática é difícil. Estamos em um momento de total servidão, a mercantilização tomou conta. Só que o amor não é uma mercadoria, ele está fora desses padrões. Então a gente traz esse questionamento."

Além da releitura ao livro de Gabriel Garcia Marques, Amor nos Tempos do Cólera (1985), o projeto homenageia ídolos do rock e principalmente o grupo de punk rock paulista Cólera, na ativa desde 1979. "A gente quis fazer essa brincadeira de referências cruzadas entre o livro e a banda. E a capa tem o objetivo de reinventar nossos ícones, resgatando Elvis Presley, The Clash e colocando o Redson [vocalista do Cólera, falecido em 2011], que é um verdadeiro ídolo", conta.

Já no clipe, Thadeu visita a famosa loja de discos Baratos & Afins, da Galeria do Rock, no centro de São Paulo. De lá, ele leva uma cópia do LP Pela Paz em Todo Mundo (1986) e sai pregando a palavra do clássico do punk brasileiro. Na música, os gritos de "pela paz" ecoam com a mesma intensidade que fizeram na voz de Redson.

Só 'Vespas'?

A mudança da identidade visual das Vespas Mandarinas, que começou no curto documentário que apresentou a nova fase da banda, de julho do ano passado, chegou a confundir os fãs. Se apresentando apenas como Vespas, teve quem ficou em dúvida se o nome oficial teria sido encurtado. "É a história dando continuidade. A gente tem usado só Vespas mais para comunicação mesmo, assim como o Legião Urbana é o Legião e o Paralamas do Sucesso é o Paralamas. Mas seguimos sendo as Vespas Mandarinas", explicou Thadeu.

Quem aguarda ansioso pelo terceiro álbum de estúdio do grupo, porém, deve segurar a emoção. Apesar de ser um objetivo dos músicos, a ideia por enquanto é investir em singles. "Estamos em um processo que se encaminha para um álbum, mas é um processo devagar. Tem essa situação do mercado, então temos que fazer testes. Por isso vamos lançando músicas separadas, para ir sedimentando o caminho."

Assista ao "minidoc" das Vespas:

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