Em 'Você nasceu para isso', escritora Michelle Sacks retrata casal perfeito – e criminoso

Por Bruno Bucis - Metro Brasília
capa você nasceu para isso

Um bebê sorridente, um casal atlético que mora na casa perfeita, um casamento romântico e sexualmente ativo… É impossível ter tudo isso. Não demora para o leitor perceber que a vida de Sam e Merry, o casal protagonista do livro “Você nasceu para isso”, é uma rede de mentiras – mas descobrir esse segredo pode ser muito perigoso.

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Romance de estreia da escritora sul-africana Michelle Sacks o livro revela pouco a pouco as camadas de seus personagens, que superficialmente parecem felizes, mas que não enganam eles mesmos. Narrado em primeira pessoa, o livro convida o leitor a passear por pensamentos inconfessáveis – e sangrentos dos protagonistas.

Publicado no Brasil pela editora Intrínseca apenas seis meses após o lançamento internacional, o livro revela o talento cinematográfico do Sacks. Em alguns momentos a narrativa é tão conectada à sétima arte que o leitor consegue imaginar atrizes como Jennifer Lawrence vivendo a disfuncional jovem mãe que protagoniza a narrativa.

A trama

“Estou indo para a Suécia. Vou visitar vocês”. Com esta ligação de Frank, amiga de Merry, o conto de fadas de um jovem casal norte-americano começa a se esfacelar cada vez mais rápido. Logo de início ficam evidentes os segredos que Sam e Merry tem individualmente.

É quando se descobre o que os levou a sair dos EUA e os segredos que eles tem em comum que se percebe que não há ninguém para se torcer ali – nem mesmo Frank, que vai ganhando mais importância com o desenvolvimento da narrativa.

“Eu não gosto do conceito de heróis e vilões porque eu não acredito que as coisas sejam assim tão fáceis de distinguir na realidade. Boas pessoas fazem coisas ruins e pessoas ruins são, muito comumente apenas pessoas que tiveram má sorte na vida ou viveram muitos traumas. A condição humana é muito profunda para que heróis existam”, afirma a escritora.

Entrevista com Michelle Sacks

Michele Sacks nasceu na África do Sul e mora na Suíça. Mestre em literatura, ela foi indicada ao prêmio da Commonwealth para contos em 2014 e duas vezes ao South African PEN Literary Award.

Você tinha escrito outros romances antes deste?

Eu escrevi duas histórias longas antes de “Você nasceu para isso”. Eu achava que eram romances só por causa do tamanho de páginas, mas eram histórias ruins. Eu tinha uma trama e personagens, mas não sabia transformar isso em um romance. Depois de terminar esse livro eu achei que ficaria mais fácil fazer os próximos, mas entendi que casa processo será um aprendizado diferente.

Sam e Merry vivem em um mundo de aparências. Nós também?

Nós vivemos em um mundo que valoriza mais a aparência do que a autenticidade. Com as redes sociais agora é ainda mais fácil de cultivar e projetar qualquer imagem que você queira: de um estilo de vida a valores pessoais. Você pode editar e filtrar todos os aspectos da sua vida e ninguém precisa saber (ou mesmo se importar) se é verdade.

Seus personagens são estrangeiros na Suécia e você também viveu fora de seu país natal. Há parte de você em Sam e Merry?

Eu acho que meus personagens têm a tendência de estar fora de lugar, longe de casa, ou buscando alguma maneira de se ligar às origens. O senso de alienação e de deslocamento dos meus personagens no mundo certamente tem base nos meus próprios sentimentos. Eu não tenho uma sensação de pertencimento. Eu tenho cidadania espanhola e sul-africana, mas nenhum deles parece minha terra natal. Eu vivi em seis países diferentes e eu fui uma estrangeira em todos eles – mas quanto mais você está longe de casa, mais você se torna um estrangeiro lá também.

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