Em seu terceiro álbum, BaianaSystem traz vislumbre do futuro

Por Bruno Bucis - Metro Brasília
capa o futuro não demora

De “Água”, que abre o CD, até “Fogo”, a última faixa. As músicas do BaianaSystem tem um misticismo nas letras e um respeito às tradições sonoras, com participações de figuras um pouco afastadas dos holofotes atuais, como Mano Chao. Ainda assim, o grupo soteropolitano consegue jogar toda essa ancestralidade para o futuro com o terceiro álbum de sua carreira, o apropriadamente entitulado “O futuro não demora”.

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O disco foi lançado há duas semanas com a difícil missão de desbancar o sucesso de “Duas Cidades” (2016) – que transformou o grupo de músicos essencialmente alternativos em algo mainstream. A tirar pela primeira apresentação ao vivo, feita em Brasília,  o objetivo foi conquistado.

No fundo, é só no cara a cara,  que a música do BaianaSystem encontra seu ápice: o grupo escreve para a multidão pular, como fica claro desde “Água”, a faixa de abertura do álbum novo, que conta com a participação da dupla Antônio Carlos e Jocafi (do hit dos anos 1970, “Você Abusou”) e da Orquestra Afrosinfônica.

Apesar de ser feito para a multidão, a concepção de “O futuro não demora”, deu-se, de acordo com a banda, no trajeto marítimo e calmo entre Salvador e a Ilha de Itaparica (BA), o que transborda para o álbum não só em suas influências sonoras, como também em um aspecto de “carpe diem”, expressão que mesmo sem ser dita nenhuma vez ao longo do disco o resumiria perfeitamente.

Os extras

“O futuro não demora”, inclusive, é recheado de participações especiais. Das 13 faixas, todas inéditas, oito tem Russo Passapusso, vocalista da banda, dividindo as atenções com outros artistas, em especial alguns talentosos músicos da cena cultural de Salvador, mas que não tinham reconhecimento fora da Bahia.

Isso é reparado, inclusive, com repeteco das participações anteriores. A Orquestra Afrosinfônica volta a ser creditada no fim do CD, na faixa “Fogo”, curiosamente mais plácida do que sua oposta, “Água”. Ambas faixas ao vivo tem mais que o dobro de duração das versões em CD – não é raro que um show do BaianaSystem tenha menos que quinze canções em um repertório de uma hora.

Antônio Carlos e Jocafi também voltam a aparecer em “Salve”, provavelmente a melhor faixa do CD, que conta ainda com um rap muito bem encaixado de BNegão.

Além deles, “O futuro não demora” traz ainda o cantor franco-espanhol Mano Chao (autor de canções marcantes dos anos 2000, como “Clandestino”) em “Sulamericano”, uma canção de salsa dançante, mas que discute com sobriedade as questões sociais da América Latina e suas “veias abertas”.

Os cantores paulistas Curumin e Edgar participam de “Sonar”, espécie de reggae eletrônico. Já o Mestre Lourimbau, artesão e músico de salvador, participa de “Melô do Centro da Terra”  que marca o meio do disco.

A sopa de referências do BaianaSystem só fica pronta, porém, com mais dois ingredientes: a participação dos músicos quilombolas do Samba de Lata de Tijuaçu, em “Redoma”, que tem fortes toques de repente; e o rapper Vandal na penúltima faixa do CD, “CertoPeloCertoh”.

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