‘A música me salvou’, diz Gal Costa; cantora está em turnê pelo álbum ‘A Pele do Futuro’

Por Alex Ferreira - Metro Belo Horizonte

Uma camaleoa sonora. A frase que serve para definir a carreira de Gal Costa explica com a mesma contundência o último trabalho da cantora, “A Pele do Futuro”. Com tonalidades do samba, da disco music e até do ijexá nigeriano, as faixas do 30º álbum de estúdio da artista baiana mantêm a mesma diversidade musical que a acompanha durante seus mais de 50 anos de carreira.

Ela retorna com ele a São Paulo, em março, nos dias 22 e 23, às 22h, para shows na Casa Natura Musical (r. Artur de Azevedo, 2.134, Pinheiros, tel.: 4003-6860; R$ 80). Em entrevista ao Metro Jornal, Gal falou sobre a carreira, os tempos de crise no planeta e sua longevidade artística.

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Como foi a montagem desse repertório que mescla músicas novas e antigas?

O material foi preparado pelo Marcus Preto [diretor artístico e musical do disco]. Ele reuniu as música, eu ouvi todas e escolhi as que mais gostei. Eu sempre quis gravar uma dance music, e o Pupillo (produtor do trabalho) conseguiu através da magia musical dele transformar o samba “Sublime” [de Dani Black] em uma canção dance. Eu pedi composições a Guilherme Arantes, Djavan, Gil também, e assim o repertório foi nascendo. O resultado é como você diz, um trabalho bem diversificado que explora estilos variados. Isso sempre foi parte da minha identidade artística, conseguir baião, samba e até rock’n’roll [risos].

Como você se sente vendo seu trabalho venerado pelo público da nova geração?

Me sinto muito recompensada. Acho que não só para mim, mas para a minha geração toda é muito bom saber que o que fizemos ainda é valorizado. É maravilhoso saber que os jovens têm muito respeito e consideração pela minha música. Por isso eu continuo na ativa, trabalhando e amadurecendo para melhor.

Você sempre esteve com artistas de vanguarda. Quem a inspira na geração atual?

Ah, tem sim. Eu gosto muito do trabalho do Paulinho Moska. Acho ele um compositor bastante talentoso e sério. Inclusive fiz questão de incluir uma música dele nesse disco (“Cabelos e Unhas”).

Você acha que o papel do artista ainda é o de servir como um agente de mudança comportamental e social?

Acho que sim. Especialmente neste momento em que o mundo está tão caótico. Não é só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro. Parece que estamos chegando no final dos tempos. Parece que o Apocalipse está ali pertinho. Eu acho que as pessoas têm que batalhar para melhorar isso. Talvez a geração que está nascendo agora vai conseguir ter capacidade para realmente transformar muitas coisas no homem, porque esse momento atual está muito difícil. Eu acho que a arte pode ajudar as pessoas. A música realmente tem a capacidade de causar transformação nas pessoas e até no mundo. A música me salvou também. Ela me fez uma pessoa feliz e foi justamente através dela que virei uma pessoa melhor. Agradeço a Deus por isso.

Aos 73 anos, como você consegue manter esse gás todo, por tanto tempo, e com tanta qualidade?

É paixão. Claro que vai ter uma hora que eu vou ter que me aposentar, eu sei disso. Mas eu ainda tenho gás suficiente para querer cantar. Eu entro no palco e me transformo. Foi como eu disse antes, a música tem esse poder: mudar as pessoas para melhor.

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