Cantora venezuelana retoma trajetória que levava antes de deixar o seu país

Por Metro Curitiba

Cercada pelos quadros que pinta com giz de cera sobre materiais descartados que encontra, a venezuelana Ninoska Potella mantém vivas as raízes que a conectam ao seu país através da música. Vivendo com seus três filhos, nora e neta recém-nascida em um apartamento no Jardim Botânico, ela retoma, em Curitiba, a carreira de cantora que já havia consolidado na Venezuela.

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“Lá, eu já tinha uma trajetória. Cantei com a produtora de um músico conhecido da Venezuela, o Hugo Blanco, que compôs um tema mundial chamado ‘Moliendo Café’. Depois, foi com Simón Díaz, que compôs ‘Bamboleo’ – mas o nome original era ‘Caballo Viejo’”, relembra Ninoska.

Na cidade de Caracas, onde vivia, cantava em concursos, festivais, universidadess, além de haver participado de apresentações nas rádios e televisões locais. “Eu cantava de tudo um pouco, música latina americana, em geral, e também tinha um show à parte, só de música folclórica da América do Sul, como tango e canções do Brasil Equador e Argentina”, conta.

Assim, antes mesmo de vir ao Brasil (três anos atrás), Ninoska já sabia cantar em português – apesar de ainda carregar na fala o sotaque hispânico. Dentre as músicas brasileiras que aprendeu e adicionou ao repertório estão “Falsa Baiana” (já interpretada por diversos artistas da MPB, como João Gilberto, Roberta Sá e Gal Costa) e “Carinhoso”, de Pixinguinha, sua favorita.

Chegando ao Brasil

“A decisão foi por amor”, diz Ninoska. A razão pela qual escolheu comprar uma passagem só de ida de Caracas para Curitiba foi o namorado, que se tornou marido. A situação política de seu país, que se agravou desde a sua partida, contribuiu para que decidisse permanecer aqui.

A recepção dos curitibanos e o interesse por seu país e cultura, por sua vez, facilitaram seu processo de adaptação. “Foi uma excelente recepção. Curitibanos – e brasileiros, em geral – são muito curiosos. Sempre querem saber mais, conhecer os instrumentos que nunca viram. É lindo, admirável”, diz.

O instrumento a que se refere é o cuatro, que, como se presume pelo nome, possui quatro cordas (de nylon) e possui um som mais grave do que outros instrumentos de corda como o cavaquinho ou o ukulele. É ele que costuma a acompanhar em shows.

A curiosidade brasileira, então, desempenha um papel importante para Ninoska. “Como estão vindo venezuelanos para cá, é bom que os brasileiros estejam informados sobre nós. E nós queremos aprender também. É muito legal essa integração.”

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