Animação ‘Tito e os Pássaros’ cria aventura onírica com pé na realidade

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo

Um efeito colateral comum a boas obras de arte é sua capacidade de captar os sinais dos tempos e antecipar realidades que estão por vir.

Quando Gustavo Steinberg pensou pela primeira vez no argumento de “Tito e os Pássaros”, em 2010, tudo o que queria era criar um filme capaz de fazer as crianças refletirem sobre o medo.

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Nove anos depois, o tema surge assustadoramente presente em várias esferas da sociedade, aumentando a pertinência da animação, que estreia nesta quinta-feira.

“Imaginar que o medo é contagioso não é algo genial, mas é muito presente em São Paulo. Eu só não sabia que isso ia chegar ao nível que chegou, com resultados políticos, econômicos e sociais muito claros”, aponta Steinberg, que divide a direção do longa com Gabriel Bitar e André Catoto.

“Imaginar que o medo é contagioso não é algo genial, mas é muito presente em São Paulo.” – Gustavo Steinberg, codiretor

Essa atualidade é um dos elementos que têm ajudado a carreira de “Tito e os Pássaros”. O filme já passou por mais de 80 festivais, ganhou prêmios e foi pré-indicado ao Oscar de melhor animação.

“Em cada lugar as pessoas veem as razões para o medo de um jeito diferente. Nós, adultos, criamos esse caos, e talvez as crianças nos ajudem a resolvê-lo”, diz o codiretor.

O longa acompanha a história de Tito (Pedro Henrique), um garoto de dez anos que, a contragosto da mãe (Denise Fraga), dá continuidade ao trabalho do pai (Matheus Nachtergaele) e busca a cura para uma epidemia de medo, responsável por paralisar as pessoas até que elas se transformem em pedras.

Enquanto um apresentador de TV sensacionalista (Mateus Solano) tenta convencer o mundo de que o único jeito de se proteger é se esconder em um condomínio coberto por uma redoma, Tito desconfia que a solução possa estar nos pombos que convivem há séculos com os humanos.     

Um dos desafios ao contar a história era encontrar o tom certo para falar de algo um tanto soturno de forma realista, mas sem perder de vista certo ar de fábula e aventura capaz de manter a atenção das crianças.

“Minha maior referência foi ‘Os Goonies’, onde um bando de garotos tenta resolver um problema real. Não queria transformar o Tito em um herói com poderes sobrenaturais. Ele é um menino absolutamente comum, porque, na verdade, a gente precisa de certo heroísmo para viver o dia a dia”, conclui Steinberg.

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