Pokémon Go Safari Zone devolve ares de Copa à Porto Alegre

Por André Mags - Metro Porto Alegre

O desembarque do Pokémon Go Safari Zone em Porto Alegre devolve ares de Copa do Mundo à cidade neste fim de semana. A partir desta sexta-feira (25), o evento baseado no jogo em realidade aumentada de caça aos bichinhos contará com a estrutura de wi-fi utilizada no campeonato de futebol de 2014, o Caminho do Gol. Milhares de pessoas deverão participar, muitas delas, estrangeiras.

Na Copa, o Caminho do Gol ia da avenida Borges de Medeiros até o estádio Beira-Rio, local dos jogos. A rede de internet livre servia para que os torcedores a utilizassem no trajeto, que ficou famoso pela multidão de holandeses vestidos na cor laranja da sua seleção. Agora, os milhares de jogadores de Pokémon Go que virão a Porto Alegre utilizarão o mesmo wi-fi na orla, Gasômetro, anfiteatro Pôr do sol e parque Marinha do Brasil.

A Procempa garante que está tudo em ordem com os equipamentos. As operadoras de celular também asseguram que haverá capacidade de rede, conta Michel Costa, CEO da Techpar Global, empresa que organiza o evento. “Havia uma disputa muito grande pela realização do evento na América Latina. Perguntei à Niantic: ‘Já pensaram no Brasil?’. ‘Está nos nossos planos’, responderam. Contaram para a cidade ser escolhida ter sido sede da Copa, receber eventos internacionais e a recém-inaugurada orla do Guaíba”, afirma.

Mais de 130 mil pessoas se inscreveram, mas somente 25 mil participarão – a seleção foi por sorteio, com reserva de 4,5 mil vagas a moradores da capital. Mas a área do jogo estará aberta a qualquer um, e o Brasil terá uma enxurrada de Pokémons durante o período. A diferença para os inscritos é ter acesso a personagens mais raros. Um deles poderá ser o Unown, Pokémon raríssimo em forma de letra. O mistério atiça o imaginário dos jogadores.

Mobilizada, a comunidade local de Pokémon Go hospedará visitantes em suas residências e procura vagas em hotéis para eles. Calcula-se em 30 mil os treinadores (jogadores) de Pokémon na comunidade da capital. Elielto Rocha, 30 anos, administrador da comunidade do Parcão e jogador nível 40, o mais alto, dedica três horas por dia ao game. Ele diz que os jogadores estão “eufóricos”. “A gente nunca imaginou um evento tão próximo de nós. Foi uma graça que tivemos.”

Como funciona?

Pegue todos os Pokémons!

  • Início. Com a internet e o GPS ativados, o jogador passeia pela cidade e o aparelho cria imagens virtuais dos monstrinhos sobre os cenários. O jogador arremessa a pokébola para capturá-los.
  • Em grupo. Os jogadores podem colocar seus Pokémons para lutarem uns com os outros.
  • Juntando pontos. O acúmulo de pontos leva o jogador a evoluir e alcançar níveis superiores.

Jogo leva os usuários para as ruas

Pokémon Go pode ser analisado como uma atividade que vai muito além de um jogo. Dizem que o seu criador, o ex-Google John Hanke, CEO da Niantic – ele esteve por trás da criação do Street View, Google Maps etc. –, pensava em um entretenimento que tirasse seus filhos de casa. E esse se tornou o principal ponto positivo do game: aproximar a cidade do usuário.

A arquiteta Rachel Berrutti Pereira da Cunha escreveu seu trabalho de mestrado em planejamento urbano e regional pela UFRGS baseado no jogo. “Flâneur híbrido, uma experiência urbana através do jogo Pokémon Go” mostra como as referências da cidade usadas no game ajudam o usuário a localizar e criar vínculo com o território. “Descobri que as pessoas começaram a caminhar muito por Porto Alegre em horários alternativos. Vários jogadores descobriram os nomes de praças e monumentos pelo jogo. É uma forma de instigar a sair para a rua e conhecer a própria cidade”, relata.

O trabalho ganhou tanta proporção que Rachel foi convidada pela Niantic para visitar a empresa. Ela embarcará em junho para São Francisco.

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