Dramaturga Grace Passô é homenageada do ano na Mostra de Cinema de Tiradentes

Por BandNews FM com Metro BH

Atriz, dramaturga e diretora, a belo-horizontina Grace Passô é reconhecidamente uma das grandes revelações do teatro mineiro. Uma das fundadoras do Grupo Espanca!, ela coleciona prêmios por seu trabalho nos palcos. Embora tenha somente começado a atuar no cinema recentemente, ela já é destaque em festivais nacionais e internacionais. Ao Metro Jornal, a artista falou sobre a homenagem que recebe este ano na 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

Você vem do teatro e tem uma experiência vasta na área. Como surgiu esse contato agora com o cinema?

O que acho muito legal é que a homenagem dialoga com um dos temas da Mostra de Tiradentes, que é estimular uma troca de ideias entre diferentes linguagens artísticas. Eu sou atriz e a minha profissão tem esse lado interessante de nos permitir a atuar em sistemas diferentes como o teatro e o cinema – que embora sejam campos distintos, são ambos espaços de atuação. Minha história com o cinema é bem curta, mas muito prazerosa. Fiz alguns filmes dos quais tenho muito orgulho, como é o caso de “Elon Não Acredita na Morte”, dirigido pelo Ricardo Alves Júnior. Foi justamente essa pequena participação que me abriu um desejo muito grande de me aproximar do cinema. Depois, a adaptação ao mundo dos filmes foi natural.

Você citou a sua experiência com as artes cênicas de forma geral. Como vê o espaço do teatro e do cinema no contexto atual?

De alguma forma as linguagens artísticas não competem entre si. Pelo contrário, elas se atravessam, se afetam. Mas a beleza desse campo é que de um modo geral, todas elas colaboram para a expansão uma das outras. Não acho que haja um status hierárquico entre elas. Todas são igualmente importantes para a formação da nossa sociedade e das nossas subjetividades.

Estamos vivendo um momento em que as pessoas estão se dividindo em segmentos sociais. Você acha que é possível usar a arte como um elemento unificador?

Acho que precisamos antes de tudo de instâncias governamentais que tenham noção do papel da arte para a formação de uma sociedade. Infelizmente, no Brasil o consenso que costuma imperar é de que a arte não tem muita importância para a estruturação de um país e que é uma plataforma elitizada. Mas isso não é verdade. Essa visão inclusive existe porque aqui não se investe seriamente para se criar um segmento artístico forte. O investimento que se faz não corresponde com a riqueza cultural que temos. Não tem como se criar uma sociedade funcional sem uma produção artística de valor. O Brasil precisa da arte para crescer como nação. Eu acho que através da arte podemos aprender a refletir sobre nossa condição e descobrir nossos caminhos como cidadãos funcionais.

Você vê a homenagem como uma oportunidade para repassar essa mensagem?

Meu desejo é que a celebração do meu trabalho possa ser de valia para muitas pessoas e não só para mim. Eu sou uma artista brasileira, que trabalhei com muita responsabilidade e sempre busquei pensar e refletir a minha condição – não como alguém isolada nesse mundo, mas minha condição em conjunto, em coletivo com o meu próximo. O que eu espero é que pessoas possam se ver representadas no meu trabalho e nessa homenagem. Acho que o mais importante é isso: que se sobressaia sempre quem eu sou – uma mulher que trabalha com arte no Brasil e que busca experimentar com a minha humanidade através do meu campo.

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