Prestes a fazer 90 anos, Nathalia Timberg encarna ícone da moda em 'Através da Iris'

Por Metro Jornal

Prestes a fazer nove décadas de vida, em agosto, atriz é dirigida por Maria Maya em monólogo no qual vive Iris Apfel, ícone da moda aos 97 anos.

Em “Através da Iris”, você interpreta Iris Apfel, ícone mundial da moda que, em diversas vezes, disse vestir-se “para si própria” – o reconhecimento recebido não seria proposital. Você faz teatro para si própria ou para o público?

O teatro é feito a partir do momento em que há comunicação com a plateia. Sem o casamento entre os espectadores e o palco não há teatro. Mesmo assim, eu acredito que, apesar de fazer as coisas de acordo com o que sente e o que acha, o trabalho dela vai, sim, de encontro a um público.

Deve ser ainda mais difícil criar um personagem que existe de verdade, uma vez que as pessoas podem  ver Iris Apfel e comparar com a atuação, não?

O Cacau Hygino, que escreveu o roteiro, foi muito fiel ao que ela é, então foi fácil trazer à tona essa figura não só na sua veracidade, mas também como ela se expressa e como fala de si mesma. O trabalho com a Iris também se orienta pelo que há de literatura da vida dessa mulher inspiradora – principalmente da autobiografia dela, que serviu de norte para a composição da personagem no palco. Ele também teve contato pessoal com a Iris, o que foi uma fórmula de sucesso.

O Cacau Hygino também é o autor da sua biografia, “Nathalia Timberg: Momentos”. O que a atraiu no modo como ele escreve?

Ele é um biógrafo fantástico. Essa forma que ele tem de pesquisar as pessoas que retrata acaba trazendo uma figura muito interessante com todas as suas  facetas. Quando Cacau escreveu o livro comigo, pedi para que fosse na terceira pessoa, mas isso é porque temos uma ligação e eu não pude dizer não.

Por que o gênero de teatro documental tem despertado tanto interesse?

Não sei (risos). Mas acredito que as pessoas têm muito interesse por biografias. Durante a última que fizemos, “Chopin ou o Tormento do Ideal”, em parceria com Clara Sverner, eu fiquei surpresa com a reação e com o envolvimento do público, que foi muito alto.

Iris Apfel tem como uma de suas máximas “mais é mais”. Isso se aplica à sua forma de fazer teatro?

Eu tenho como comportamento o oposto, sou mais discreta. Ela tem um extremo bom gosto e é uma excelentíssima editora. Basta ver que, da profusão de coisas e acessórios de sua curadoria na exposição do Met (Museu Metropolitano de Arte de Nova York), há um equilíbrio e uma harmonia grandes. É uma questão de gosto. Eu sou mais comedida, mas nós duas somos contra a ditadura da moda. Detesto ser obrigada e não quero me sentir presa. Acho que, nesse sentido, nós nos encontramos pela liberdade da moda. A Iris coloca um vestido do Dior com acessórios de brechós sem o menor problema.

Ainda é algum desafio fazer um monólogo neste ponto da sua carreira?

É muito mais desafiante que qualquer outra coisa. A peça toda é baseada no que ela fala e no que ela toca. Ela conta a si própria as suas histórias para levar ao público as ideias que tem.

Seus últimos trabalhos foram muito densos, com a parceria com Roberto Alvim ou mesmo vivendo Chopin. Como encara a leveza dessa personagem?

Foi fácil! Eu encaro com muito prazer, por ser uma coisa que é rara na minha trajetória. A Iris não se propõe a resolver os problemas do mundo – que estão gravíssimos –, mas lida com isso com um senso de composição belíssimo, algo que muitas pessoas instruídas se propuseram a fazer, mas não conseguiram. Essa beleza que ela propõe é um ótimo exercício para o ator. As coisas que ela diz não são necessariamente engraçadas, mas são muito bem-humoradas. Acredito que Cacau foi muito feliz na escrita dessa personagem.


Serviço
No Teatro Faap (r. Alagoas, 903, Higienópolis, tel.: 3662-7233). Estreia hoje. Sex. e sáb., às 21h; dom., às 18h. R$ 80. Até 10/3.

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