'Nada derruba Elza Soares', diz Zeca Camargo, autor da biografia da cantora

Por Neto Del Hoyo - Metro Maringá
capa livro elza soares

Zeca Camargo nunca foi a primeira opção de Elza Soares. A cantora queria Ruy Castro  para sua biografia definitiva. Acontece que o escritor premiado com o Jabuti pela biografia de Garrincha  não conta a história de pessoas vivas.

Coube então a Zeca colocar no papel a infância sofrida de Elza, os tombos sem fim que a vida lhe pregou e como ela soube se levantar ainda mais forte de cada um deles.  Foi um desafio e tanto. Essa vitalidade está no show que ela faz do disco “Deus é Mulher”, nesta sexta-feira (11), às 21h30, no Teatro J. Safra (r. Joseph Kryss, 318, Barra Funda, tel.: 3611-3042; de R$ 120 a R$ 260).

Você fez pesquisas antes, se encontrava com ela com qual frequência?

Só em abril do ano passado engatamos um ritmo bom, com encontros semanais na casa dela, toda quinta-feira. Claro que tudo parte de uma pesquisa de datas e acontecimentos. E o que facilita hoje é que a internet agiliza todo esse processo. Mas o que eu fazia era tirar a visão dela daqueles fatos. Os eventos eram apenas uma base para as histórias que a Elza me contaria. O Google ajuda com os dados, te dá até a data em que ela se encontrou com o Garrincha, mas não conta o que ele sussurrou no ouvido dela.

Houve algum momento em que ela hesitou e não quis que algo fosse publicado?

Foram três episódios. Eu escrevia e lia para ela, mas dois dias depois ligava: “Eu não quero isso no livro”. Eu tinha que convencê-la que aqueles episódios mais delicados não diminuiriam o tamanho dela.

Como ela se comportava ao contar episódios delicados?

Era sempre delicado e eu sabia da responsabilidade. Era pesado, mas ela contava.

Qual foi a parte mais dura de ouvir e escrever?

A que ela entra nas drogas pesadas e a perda do filho, que é difícil de ela falar.

De onde vem a força dela?

A infância da Elza foi de muita privação. Ver um filho morrer de fome, a mãe trabalhar como doméstica… Ir para o fundo do poço não era novidade para Elza, porque ela veio de lá. É para onde ela sempre volta quando cai.

Qual a grande lição?

Não desistir nunca. Essa é uma história improvável, Elza tinha tudo para dar errado. A música brasileira não estava preparada para ela. Mesmo se fosse num disco de samba monótono, uma música ao menos seria de crítica, teria a assinatura dela.

Essa é a biografia definitiva. Faltou alguma coisa?

Faltaram os próximos dez anos de Elza, porque a energia que essa mulher tem aos 88 anos é impressionante. Nada a derruba. Essa é a biografia de alguém muito vivo.

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