Versão de filme da Netflix revela lado sombrio de Mogli

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo

Quem cresceu ouvindo Mogli cantar “Somente o Necessário” na popular animação dos estúdios Disney pode se impressionar ao ver o garoto, agora em carne e osso, segurar um punhal de forma ameaçadora em “Mogli – Entre Dois Mundos”, já disponível na Netflix.

Para o diretor Andy Serkis, no entanto, essa era uma abordagem necessária para honrar o centenário livro de Rudyard Kipling (1865-1936), no qual a história é baseada, e também para fazer um comentário político.

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“O uso da faca significa a influência do homem em Mogli. Abordamos o colonialismo de uma forma que os outros filmes jamais fizeram. Isso acontece com a inserção do branco que caça não para obter comida, mas por esporte. Para mim, era importante ver Mogli sendo corrompido por ele”, disse ele na segunda-feira (10), ao Metro Jornal, em um evento de divulgação da produção em São Paulo.

Nas mãos de Serkis, as aventuras do menino criado entre lobos (vivido por Rohan Chand) se transformam na história de formação de alguém em busca de seu lugar no mundo. “Nós nos concentramos na jornada de Mogli como um ‘outsider’, alguém que não pertence àquele lugar. Isso é algo muito emocionante e me fez ficar apaixonado pelo projeto.”

Conhecido por interpretar diversos papéis por meio de captura de movimentos, como o Gollum, de “O Senhor dos Anéis”, e César, em “Planeta dos Macacos”, o diretor escalou um time de peso para enfrentar o mesmo processo e entrar na pele dos animais que embalam a trama.

Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch e Christian Bale se tornaram, respectivamente, a serpente Kaa, o tigre Shere Khan e a pantera Bagheera. Sobrou também para Serkis, que interpreta o urso Baloo.

“Tudo se tratou de imaginar como a persona de cada ator se encaixaria com cada animal”, afirma o diretor.

A produção deste novo “Mogli” começou em 2013 e acabou atropelada pelo lançamento do live action da Disney, dirigido por Jon Favreau e lançado em 2016, mas Serkis, que trabalha agora em uma adaptação de “A Revolução dos Bichos”, crê que sua versão traz um olhar diferente para algo já conhecido.   

“Nunca é bom ter competição, mas sabia que a Disney faria um filme familiar. O nosso é um pouco mais sombrio, ousado e assustador. Eu precisava ver uma versão que fosse emocionalmente verdadeira em relação ao livro.”

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