Com fechamento confirmado, movimento em defesa do Ministério da Cultura volta com menos força

Por Bruno Bucis – Metro Brasília

Em 2016, os artistas foram à luta. Com o anúncio de que o então recém-empossado presidente Michel Temer fecharia o Ministério da Cultura, eles ocuparam a sede da Funarte por mais de cem dias, no Rio. A mobilização varreu também São Paulo e Brasília e recebeu apoio de nomes como Caetano Veloso, Cauã Reymond e Marcelo Serrado.

Menos de dois anos depois, a pasta teve seu fechamento confirmado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, mas a reação da classe artística é bem menos intensa. Nas redes sociais, as hashtags #FicaMinC e #OcupaMinC, tão compartilhadas no passado, não ganham força.

Na semana passada, uma manifestação diante da sede do MinC, em Brasília, reuniu pouco mais que 40 pessoas. Para o professor de ciência política do Centro Universitário do Distrito Federal, André Jacomo, o esvaziamento da luta tem duas explicações.

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“Em 2016 a gente tinha um forte questionamento da legitimidade das mudanças que Temer queria fazer pois muita gente defendia que aquele governo era golpista. O projeto de Bolsonaro, por menos que se goste, foi escolhido nas urnas”, diz.

“A reforma administrativa que o Temer propôs também não tinha grande impacto. Agora Bolsonaro mirou muitos ministérios, como o de Direitos Humanos, do Meio Ambiente, que são pautas defendidas pela mesma população que defende as pautas culturais. Com isso, o movimento perdeu holofote”, completa Jacomo.

Ainda assim, há um movimento em torno da defesa do MinC. Na semana passada, o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura publicou uma carta em defesa do ministério com os argumentos de que “o setor cultural gera 2,7% do PIB” e que o “MinC foi uma demarcação institucional do campo das artes e da cultura no país”.

O governo Bolsonaro, porém, já anunciou que as atribuições do Ministério da Cultura serão assumidas pelo recém-criado Ministério da Cidadania, que será chefiado por Osmar Terra (MDB).

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