Grande vencedor do Festival do Rio, Tinta Bruta explora diversidade

Por Mônica Kanitz - Metro Porto Alegre

Os diretores gaúchos Marcio Reolom e Filipe Matzembacher aprofundam a reflexão sobre o universo gay em “Tinta Bruta”, que estreia nesta quinta-feira (6) nos cinemas depois de conquistar prêmios importantes, como o de melhor filme e direção no Festival do Rio e o Teddy Awards (dedicado a filmes de temática LGBT), na Berlinale.

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No longa anterior, “Beira-Mar” (2015), a dupla apresentou a história da descoberta do amor entre dois adolescentes numa cidade do litoral. Agora, o cenário de “Tinta Bruta” é o centro de Porto Alegre, quase sempre à noite, e o protagonista é Pedro, um jovem que faz do quarto escuro seu refúgio.

É diante do computador que ele encarna o Garoto Neon, se movendo em coreografias eróticas enquanto pinta o corpo com tintas fosforescentes. Ele tem sua pequena plateia na internet, o que lhe garante alguns trocados.

Além de introspectivo, Pedro (papel de estreia de Shico Menegat) é um jovem que precisa enfrentar várias perdas ao longo da trama.

A primeira é a mudança da irmã, que vai trabalhar em Salvador; a segunda envolve Léo (o ator Bruno Fernandes), por quem Pedro se apaixona e com quem chega a fazer uma parceria artística.

Há também uma perda de referências em relação à vida “normal”, já que Pedro foi expulso da faculdade por conta de uma briga  e responde a um processo judicial por ter ferido um colega.

No decorrer do filme, o espectador fica sabendo que Pedro foi vítima de bullying, o que também justifica  o comportamento pouco sociável.

Mais do que tratar de um  jovem que se sente oprimido e não vê grandes esperanças no futuro, “Tinta Bruta” fala da sensação de não pertencimento. “A gente cresceu em Porto Alegre, mas hoje a cidade está mais hostil, inclusive culturalmente. Queríamos trabalhar este sentimento com nosso protagonista. Também há esta onda conservadora no país, acreditamos que o cinema é uma forma de questionar e reagir”, comenta Marcio Reolon.

Os diretores também comemoram a visibilidade que o filme conquistou com as premiações. “Lançar luz sobre a diversidade, sobre temas como bullying e preconceito, são fundamentais hoje em dia”, destacam.

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