Nicolas Behr relança livros mimeografados

Por Bruno Bucis - Metro Brasília

Cuiabano radicado em Brasília, Nicolas Behr é um dos mais exitosos escritores do Distrito Federal, quase um sinônimo da literatura da capital. Esse sucesso é fruto de uma longa caminhada – literalmente.

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Nos anos 1970, o escritor vendia nos bares de todo o Plano Piloto os livretos de poemas que imprimia em mimeógrafos de escolas públicas. Essas edições simples, ganharam status de obras raras e serão relançadas nesta quarta-feira (5), como não poderia deixar de ser, em um bar, no Beirute (109 sul), a partir das 18h.

Os cinco livretos, que já haviam tido seu conteúdo reunido no livro “Restos vitais” ganham agora uma edição fac-símile – ou seja, identica às cópias mimeografadas até em seus erros de impressão (mas sem o cheiro forte de álcool que tinham as cópias impressas daquela maneira).

“Esses livros representam a fase mais criativa da minha vida. Eu criava de manhã, imprimia a tarde e vendia à noite. Não tinham lançamento, era uma coisa muito urgente. Eram livros quentes, densos, tensos”, define Nicolas.

A edição em fac-símile, produzida pela Semim Edições, reúne em uma caixa (“Bom que ninguém agora perde os livrinhos”, brinca Nicolas) os cinco livros dos mais de vinte feitos por Behr entre 1970 e 1980. O box custa R$ 35 no lançamento.

O conjunto reúne os livros “Iogurte com Farinha”, “Grande Circular”, “Caroço de Goiaba”, “Chá com Porrada” e “Bagaço”. “Era uma escrita visceral visceral. Diria que 30% do que está ali não tem valor poético, é um arroubo de juventude. Fui depurando depois. Esses livros tem uma poesia tosca, no melhor sentido da palavra tosca”.

Em agosto de 1978, as poesias críticas de Nicolas Behr motivaram uma apreensão de todos os exemplares de livretos que ele tinha, além de o escritor ser preso e levado para o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social).

Nicolas só seria absolvido no ano seguinte (é possível ler o processo inteiro no site do escritor nicolasbehr.com.br). O texto cita como frases subversivas poesias como “tanta merda para tão pouco cu”, do livreto “Chá com porrada”.

“‘Chá com porrada’, é um livro forte, de um jovem revoltado, muito impactado por Brasília, pela política”, diz Nicolas. Muito daquele jovem, porém, sobrevive nele. “Essa coisa de repressão é um negócio meio cíclico. Está voltando, mas nós estamos preparados. Eu tenho escrito quase todo dia, tenho livros aí por vir”, avisa o escritor.

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