Febre de reality shows de gastronomia transforma relação do brasileiro com a comida

Por Metro São Paulo
Alex Atala selo Arte / Metro Jornal

O casamento entre a gastronomia e a TV é antigo, mas a lua de mel entre os dois parece só ter começado mesmo nos últimos cinco anos. O ingrediente para reavivar tal paixão? A aposta em reality shows culinários como o “MasterChef”, que estreou em 2014, na Band.

Com edição ágil e roteiros eletrizantes, programas do gênero têm ajudado o brasileiro a mudar sua percepção em torno da própria alimentação ao conferir uma cara nova ao universo da cozinha.

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Antes associado a donas de casa de meia idade, esse ambiente surge agora mais plural, frequentado por homens e mulheres de todas as idades. O fato de anônimos se colocarem à prova também gera identificação com o espectador.

Diretora da Escola Wilma Kövesi de Cozinha, Betty Kövesi tem visto o impacto de atrações do tipo. “A exposição a bons conteúdos tem feito diferença. Os alunos chegam muito mais bem preparados do que antes”, afirma ela. “Às vezes esses programas são didáticos e estimulam a pessoa a se arriscar, desmistificando a ideia de que a cozinha exige um dom especial”, diz.

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Vencedora da segunda edição do “MasterChef”, Izabel Alvares concorda com a professora. “Um programa como esse atinge muita gente e estimula pessoas que têm medo de seguir esse caminho, mas mesmo quem apenas assiste para se entreter recebe algum tipo de conteúdo de qualidade”, diz ela, que vê nas redes sociais o crescente interesse do público.

“As pessoas cozinham e me marcam nas fotos. Fico superemocionada, porque você vê que elas estão se educando em relação à alimentação”, afirma.

Esse tipo de interação é também marca de dezenas de canais no YouTube dedicados à gastronomia. Um deles é o “Receitas de Minuto”, no qual a cozinheira amadora Gisele Souza elabora preparos fáceis e rápidos para o dia a dia. A ideia surgiu em 2010, quando a apresentadora começou a morar só e precisou aprender a preparar comida.

“Diferentemente do americano, o brasileiro tem costume de cozinhar, mas esses programas ajudam a descobrir coisas como curry, por exemplo. Hoje uso vários temperos e não tenho medo de experimentar comidas diferentes. Também busco fugir um pouquinho do tradicional para a pessoa entender que ela não precisa comer sempre o mesmo”, diz ela.

Atualmente com seis programas de gastronomia no ar, o canal pago GNT desdobrou suas atividades também para a internet e, em dezembro, promove nesse meio um concurso entre youtubers culinários.

Para Izabel, o futuro do gênero está mesmo on-line. "Os programas estão se adaptando e ganhando canais paralelos, com uma comunicação mais dinâmica e ampla. Esse é um assunto que não sai de moda, e o interesse por ele só aumenta", conclui a chef.

LINHA DO TEMPO

  • Cozinha Maravilhosa da Ofélia (1968-1998)
    Por décadas, Ofélia Anunciato monopolizou as panelas da TV brasileira e resistiu como líder do segmento até a sua morte.
  • Programa da Palmirinha (1999-2010)
    Em seu programa solo na TV Gazeta, a culinarista conquistou fama por conduzir suas receitas com jeito de vovó fofa que, muitas vezes, produzia humor involuntário.
  • Mais Você (1999)
    Ana Maria Braga chegou à Globo em 1999 e, desde então, apresenta um mix de receitas e competições gastronômicas entre famosos.
  • Larica Total (2009-2012)
    Rara combinação de humor e gastronomia, o programa do Canal Brasil é marcado pelos improvisos do ator Paulo Tiefenthaler no preparo de sua 'culinária de guerrilha', que ainda seduz espectadores no YouTube.
  • Ana Maria Brogui (2010)
    Criado na primeira onda de canais do YouTube, a produção se destaca por mostrar versões "faça você mesmo" de produtos industrializados.
  • Receitas Minuto (2010)
    Em seu canal no YouTube, Gi Souza ensina em vídeos curtos receitas simples e focadas no dia a dia, como estrogonofes.
  • Dulce Delight (2010)
    O canal de confeitaria mais famoso do Brasil no YouTube tem como marca registrada o elaborado visual criado por Raiza Costa, que fez sucesso nos EUA e ganhou versão TV no canal GNT.
  • Tempero de Família (2013)
    Rodrigo Hilbert se tornou meme por preparar desde as panelas às comidas servidas em seu programa no canal pago GNT.
  • Bela Cozinha (2014)
    As dicas de uso de ingredientes saudáveis eternizadas no bordão "Você pode substituir" fizeram de Bela Gil uma das cozinheiras mais conhecidas da TV por seu programa no GNT.
  • MasterChef Brasil (2014)
    Sucesso em versões amadora, profissional e infantil, a competição da Band devolveu o prestígio dos programas de culinária à TV aberta.
  • Chef's Table (2015)
    Primeiro programa de culinária da Netflix, mostra o dia a dia e a atividade de premiados chefs ao redor do mundo – incluindo Alex Atala.
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