Djavan privilegia melodias pop e letras diretas em Vesúvio, seu 24º álbum

Por Metro Rio
Djavan

Como um artesão, Djavan encara o ofício da composição como um processo. Da matéria-prima – a palavra –, ele constrói um produto: a música. “A minha inspiração é uma transpiração. É o esforço pela busca. Trabalho com música e periodicamente tenho que lançar material novo”, revela o cantor ao Metro Jornal.

A descrição simplista nem parece a de um compositor que, há mais de 40 anos, concebe metáforas tão engenhosas quanto profundas. Mas ela reflete a proposta artística embutida no cerne do recém-lançado “Vesúvio”, o 24º álbum da carreira.

“Não é que eu quisesse fazer um disco pop. Mas eu tentei ser mais pop em algumas canções, em um esforço para ser mais simples, apenas para me desafiar”, conta.

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A simplicidade melódica e a sonoridade pop, contudo, não pressupõem o uso banal da arte. Pelo contrário: o conteúdo lírico, na maioria das 12 faixas, é apresentado de forma direta, sem floreios. “Guerra vende armas, mantém cargos, destrói sonhos, tudo de uma vez”, canta em “Solitude”, explorando um discurso mais político do que o usual em sua obra.

O momento de incertezas político-econômicas pelo qual atravessa o país é o pretexto para a utilização de versos como esse, embora não haja a defesa de bandeiras específicas.

“Eu queria fazer uma música apartidária que, mesmo tocando em mazelas, exprimisse esperança e apontasse para um futuro bom”, destaca.

Natureza como inspiração

Além da política, outra constante recorrente no álbum é a alegoria da natureza, considerada pelo artista como mais importante catalisador de sua criatividade. “Não há nada que me inspire mais, a todo tempo, do que a natureza”, afirma.

O jardim de 850 plantas, de 360 espécies, que ele mantém em seu sítio, em Petrópolis, na região serrana, além de ser uma das grandes paixões, aparece, por exemplo, em “Orquídeas”, na qual são enumerados nomes científicos de espécies com a facilidade de um profissional.

Na própria faixa-título, a imagem da natureza é associada à força do amor. “Se vai-se de mim, você deixa um jardim em prantos, e o sol cai no mar”, diz em um dos trechos da canção, que mais se assemelha aos hits mais radiofônicos da carreira.

Mas se o pop aparece como espinha dorsal do trabalho, também há diálogos com outros fronteiras criativas. É o caso do bolero espanhol “Esplendor”, dueto com o uruguaio Jorge Drexler – a primeira vez que o brasileiro compartilha vocais desde 2000, quando cantou em “Milagreiro” com Cássia Eller (1962–2001).

Prestes a completar 70 anos, em janeiro, Djavan demostra com sacadas como essa que sua musicalidade artesanal não envelheceu, o que não significa que “Vesúvio” represente uma obra estagnada. “Esse é um disco no qual busco novos elementos e entrocamento mais harmônico”, resume.

Djavan No novo disco, Djavan sentiu necessidade de compor músicas simples e diretas / Nana Moraes/divulgação
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