Mostra de Cinema de SP: Central do Brasil faz 20 anos com sessão especial nesta terça

Por Amanda Queirós/Metro São Paulo

Como é ver o retrato de um país 20 anos depois de ele ter sido feito? Como os olhos de hoje enxergam esse cenário após todas as transformações que ele sofreu ao longo desse tempo?

Rever “Central do Brasil” nesta terça-feira (30), na sessão que acontece às 21h, no Espaço Itaú Augusta, é muito mais que apenas reencontrar o filme de Walter Salles em cópia restaurada, em evento da 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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Onde estaria hoje o menino Josué, vivido pelo então estreante Vinícius de Oliveira? Que destino teria aquele garoto ora carismático, ora pentelho, embrenhado pelo interior de um Brasil paupérrimo ao lado de uma desconhecida, na busca de um pai que ele nunca viu?

O que estaria fazendo Dora, a professora que, no corpo de Fernanda Montenegro, se transforma em “escrevedora” de cartas para analfabetos na movimentada estação Central do Brasil, no Rio? Será que aquela casca grossa amolecida voltaria a se enrijecer após o movimento de abundância e crise que se seguiu?

Fala-se muito que, para ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro, precisamos deixar de lado as tentativas de emular o cinema americano e revelar histórias que têm a nossa cara.
“Central do Brasil” é isso, mas no meio do caminho havia um turbilhão italiano chamado “A Vida É Bela”. Ficamos apenas entre os indicados, assim como Fernandona – essa, sim, injustiçada no troféu dado a Gwyneth Paltrow como melhor atriz.

Mas será que a falta de Oscar importa? Vencedor do Urso de Ouro em Berlim, o filme de Walter Salles guarda uma grandeza que transpõe prêmios. Ele nos ajuda a olharmos para nós mesmos a partir do outro e hoje, 20 anos depois, é exatamente isso que precisamos exercitar.

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