Artista e ativista chinês Ai Weiwei ganha exposição monumental em São Paulo

Por Metro Jornal

Poucos artistas contemporâneos têm o status pop de Ai Weiwei. Aos 61 anos, o chinês que tomou a provocação como força-motriz de suas obras abre neste sábado (20) sua primeira exposição individual no Brasil.

“Raiz” reúne 70 trabalhos, entre antigos e outros criados especialmente para a mostra a partir de sua relação com o Brasil. O que conecta o país à China, na visão do curador Marcello Dantas, é a busca por raízes perdidas dessas duas culturas.

“Ai Weiwei tem passado toda sua vida atrás de raízes apagadas pela Revolução Cultural chinesa. Ele tenta resgatar técnicas e habilidades antigas”, diz ele.

Isso faz com que um mapa da China talhado em madeira conviva com ex-votos produzidos em Juazeiro do Norte em torno da iconográfica do artista, por exemplo.

“Comecei esse projeto com a ideia de inoculação desse chinês no Brasil. Hoje penso que essa exposição é uma ‘mutuofagia’, ou seja, o ato de comer algo enquanto se é comido ao mesmo tempo”, sintetiza Dantas.

Ai Weiwei Divulgação/Ai Weiwei

1. Raízes. Mergulho ambiental.
Ai Weiwei gosta de trabalhar a partir da lógica de blocos de montar. Ele fez isso com raízes de pequi encontradas em Trancoso (BA), rompendo a estrutura lógica de crescimento delas e engatando-as umas nas outras, de maneira diferente, para criar esculturas.

2. Milenares? Passado e presente.
Em uma de suas obras mais famosas, o artista questiona o valor que atribuímos às coisas ao registrar a quebra de uma urna de 2.000 anos de idade, da dinastia Han. Aqui ele brinca com a referência da tradição chinesa ao estampar em vasos cenas vividas hoje por refugiados.

Ai Weiwei Divulgação/Ai Weiwei

3. Erotismo. Influência brasileira
O artista precisou passar oito horas com gesso sobre o corpo para gerar o molde de si mesmo que compõe esta obra, inspirada pelos sonhos eróticos que ele passou a ter após chegar à Bahia pela primeira vez.

4. Tragédia. Denúncia com ferro
Um terremoto em 2008, em Sichuan, causou a morte de milhares de estudantes. Ai Weiwei recolheu 164 toneladas de vergalhões retorcidos dessas escolas, construídas com material ruim, e os endireitou para esta obra.

Serviço:
Na Oca (av. Pedro Álvares Cabral, s/n, parque Ibirapuera, tel.: 3105-6118). Abre neste sábado. De ter. a sáb., das 11h às 20h; dom., das 11h às 19h. R$ 20 (visita com hora marcada). Até 20/1.

Neste domingo (21), às 11h, Ai Weiwei se junta ao italiano Michelangelo Pistoletto para um papo sobre arte social, ativismo e ações artísticas. A atividade é gratuita e acontece no Sesc Pinheiros.

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