BGS Summit: 'Hoje, não usaria o nome Eddy Gordo em Tekken', diz Katsuhiro Harada

Por Luccas Balacci

A BGS (Brasil Game Show) começa na quarta-feira (10), em dia fechado para a imprensa. Nesta terça (9), porém, a maior feira de videogames da América Latina já iniciou suas atividades com o BGS Summit.

O "esquenta" da mostra anual reuniu painéis com grandes nomes do mercado de jogos digitais para discutir a indústria – desde a criação de jogos até o relacionamento com o consumidor final.

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Para fechar o dia de palestras, o desenvolvedor Katsuhiro Harada, produtor de grandes jogos como Tekken e Soul Calibur, respondeu a perguntas sobre sua carreira e o processo de criação de seus personagens.

Katsuhiro Harada Luccas Balacci/Metro

"Já faz 24 anos que produzo Tekken, e neste tempo o processo de desenvolvimento mudou muito", afirmou. "Na primeira versão, a minha inspiração foi em anime e mangá, muito pelo meu gosto pessoal. Quando o jogo cresceu, tivemos a consciência de pensar como o público de outras regiões do mundo gostaria de se ver como lutador."

Harada ainda abriu para o público opinar sobre o personagem Eddy Gordo, baseado na cultura brasileira. Apesar de aprovarem os golpes e a personalidade, participantes não passaram confiança sobre a escolha do nome do lutador. "Se eu fosse criar esse personagem hoje, com certeza não o chamaria de Eddy Gordo", brincou.

A paixão pela luta de Katsuhiro Harada vai além dos videogames: ele afirmou já ter praticado diversos estilos, como judô, jiu jitsu, caratê, taekwondo – cada um por pelo menos cinco anos. "Isso influencia na mecânica de defesa, na maneira mais realista em que o lutador leva um golpe."

"Único mérito que eu posso me gabar é que conheço muito de luta", disse. Ele comentou que o personagem que mais se identifica é Heihachi Mishima, introduzido no primeiro jogo. "Temos formas de pensar parecidas e usei elementos pessoais na construção do personagem", explicou. "Já a parte do ocultismo e de resolver tudo na porrada não é muito minha cara."

O produtor também comentou sobre o cenário competitivo dos jogos de luta e a polêmica em cima do balanço entre os personagens. "Muitos pensam que o balanço é importante para o jogo ser divertido, mas talvez não seja bem assim. Seria fácil fazer um jogo completamente balanceado, porque seria tudo igual, não teria graça. Os personagens tem suas individualidades, e portanto vantagens e desvantagens, para criar um jogo divertido", explicou.

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