Após 20 anos, João Silvério Trevisan atualiza ‘enciclopédia LGBT’ do Brasil

Por Metro Brasília
Devassos no paraíso

Publicado em 1986, “Devassos no Paraíso”, livro-reportagem do jornalista João Silvério Trevisan, tornou-se uma referência acadêmica para todo texto escrito sobre as lutas do movimento ‘guei’ – como ele gosta de grafar –, mas estava esgotado em praticamente todo o país.

O livro ganha agora uma nova edição que atualiza o texto depois de quase 20 anos de sua última revisão. “Adicionei numerosas informações inéditas e, dentro da estrutura antiga, inseri novos capítulos”, diz Silvério no prefácio da obra.

A essência de “Devassos no Paraíso”, porém, se mantém. O livro pega emprestado o título de uma expressão usada pelo historiador Abelardo Romero para descrever o comportamento pansexual de nações indígenas nativas do Brasil.

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A partir daí, o jornalista apresenta como esse comportamento homossexual se manteve mesmo com a intensa repressão que a diversidade sexual sofreu desde 1500 e como movimentos lutaram para uma maior aceitação dela nos dias atuais.

Nessa edição, Trevisan trata de temas que ainda engatinhavam nos anos 1980, como a Aids, mas também se preocupa em manter a essência da obra a partir do tempo em que foi escrita. Por isso, pode causar certa confusão ver termos em desuso, como “travesti” e “GLS”.

“Pareceu-me importante que as gerações LGBT posteriores possam aferir como as gerações anteriores se expressavam de acordo com as especificidades de seu tempo”, justifica o autor.

Como documento histórico, o livro é interessantíssimo. Como obra literária, “Devassos no Paraíso” vai além e usa fatos, pesquisas e entrevistas com uma linguagem tão envolvente que é difícil largar essa devassidão depois de abri-la.

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