Álbum póstumo de Prince reúne gravações cruas e intimistas

Talento bruto do artista é lembrado dois anos após sua morte com lançamento de ‘Piano & a Microphone 1983’, que celebra seus 60 anos de idade

Por Metro Rio

Prince morreu há dois anos, mas seu 60o aniversário, que teria sido em junho, foi comemorado na última sexta-feira com o lançamento póstumo do disco “Piano & a Microphone 1983”, uma reunião de canções inéditas do artista.

Sozinho em seu estúdio apenas  com um piano, um microfone e uma fita cassete, ele revela um olhar intimista sobre si mesmo, apresentando-se de um jeito diferente das várias compilações lançadas após a sua morte.

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O álbum inicia com “17 Days”, e os primeiros sons da música são os de Prince ajustando as configurações, testando o eco na gravação e a luz do ambiente. Aí está justamente a beleza do disco, no qual Prince se mostra para além do showman que o mundo se acostumou a ver.

O que se ouve em cada nota é o talento ainda não lapidado do cantor, em versões ao estilo mixtape de faixas que viriam a se tornar grandes sucessos seus.

Um ano antes de estourar no mundo inteiro, “Purple Rain” aparece aqui em sua forma bruta, muito mais introspectiva e pessoal, combinando de forma natural com o tom das demais músicas do disco.

Isso não exclui, no entanto, toda a vivacidade e excentricidade típicas do artista. Em “Strange Love” as notas do piano são mais aceleradas, conferindo um dinamismo maior que se contrapõe às baladas emocionais. A marcação do ritmo é uma boa surpresa: a cadência se dá a partir das batidas do pé do próprio Prince ao chão.

A inédita  “Wednesday” é talvez o maior achado do álbum, mostrando o lado solitário e quase suicida, de Prince, narrado em frases como “Se você não tivesse voltado na quarta-feira / não sei o que eu teria feito”. Para a sorte do mundo, a quarta-feira chegou.

Para acompanhar o disco, foi lançado ainda um clipe de “Mary Don’t We Weep”. Visualmente estonteante, ele casa perfeitamente com a letra da música, na qual Prince consola uma mãe que perdeu seu filho assassinado, numa reinterpretação da canção de 1972 imortalizada na voz da grande Aretha Franklin (1942-2018).

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