Livro reúne cartas trocadas entre Getúlio Vargas e sua filha Alzira

Por Metro Rio
Livro reúne cartas trocadas entre Getúlio Vargas e sua filha Alzira

Detalhes da vida pessoal do ex-presidente Getúlio Vargas (1882-2954) estão publicados no recém-lançado livro “Volta ao Poder”, que reúne 568 cartas trocadas entre o político gaúcho e a filha, Alzira Vargas (1914-1992), entre 1946 e 1950.

Durante esse período, o ex-presidente viveu na fazenda da família, no Rio Grande do Sul, durante o intervalo entre seus dois mandatos — o primeiro vindo de uma eleição convertida em ditadura que durou 13 anos, o segundo na eleição que venceu em 1950. Enquanto isso, Alzira permaneceu no Rio de Janeiro.

“O que a gente sente nas cartas é uma tristeza, uma solidão”, conta Adelina Novaes e Cruz, responsável pela publicação ao lado de Regina da Luz Moreira. Segundo ela, Getúlio já revelava ali um estado de angústia anos antes do suicídio, em agosto de 1954.

“Para mim, o que chama atenção é a simplicidade do viver. Enquanto ele tinha uma vida simples, Dona Darcy [ex-primeira-dama] estava com dificuldades para chegar ao fim do mês no Rio”, explica Regina.

Alzira redigiu as cartas para o pai em seu apartamento, no Flamengo, lugar em que o ex-presidente marcou seu retorno à vida pública. Depois de ser eleito senador, em 1946, ele apareceu na janela do apartamento da filha e acenou para a população que tomava a calçada. O episódio, contado no livro, foi um dos primeiros passos que Vargas deu para tentar voltar ao poder, dessa vez democraticamente.

As cartas mesclam conversas de família com articulações políticas. Dois meses antes da posse, Vargas revela o medo de não conseguir assumir a presidência pelo risco de um eventual golpe militar. Esse medo o acompanhou durante boa parte do exílio, e, por isso, havia muito cuidado na movimentação das correspondências.


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