Exposição reúne mais de 500 obras gráficas de Millôr Fernandes

Por Metro Jornal

Millôr Fernandes (1923-2012) é, talvez, um dos artistas que mais falta faz aos tempos de crise vividos hoje no Brasil, em especial neste momento eleitoral.

A partir de uma obra plural – que passa pelo teatro, a tradução, a literatura e o jornalismo –, ele soube aliar sagacidade com simplicidade ao expor uma visão crítica e lúcida sobre as contradições do país e seu povo.

Uma parte desse legado pode ser conferida a partir desta terça-feira (18) com a abertura da exposição “Millôr: Obra Gráfica”, que toma conta do Instituto Moreira Salles.

Apresentada pela primeira vez em 2016, no Rio, a mostra reúne mais de 500 originais que repassam 70 anos de trajetória, pinçados pelos curadores Cássio Loredano, Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires em meio aos mais de 6 mil desenhos do acervo pessoal do artista, mantido sob os cuidados da instituição desde 2013.

Boa parte do que será exibido foi criado para a imprensa e, por vezes, chega aos visitantes com observações feitas pelo próprio artista, ressaltando uma parte de seu processo criativo.

As obras são apresentadas em cinco partes que agrupam desenhos em torno de temas correlatos.

“Millôr por Millôr” destaca os traços do artista para si mesmo, personagem constante de suas charges e cartuns. Já “Pif-Paf, o laboratório” reúne parte do material produzido para a coluna mantida por Millôr, entre 1945 a 1963, na revista “O Cruzeiro”, que serviria de base para o trabalho que desenvolveria até o fim da vida.

Os segmentos “Brasil” e “Condição Humana” se dedicam às obras que revelam o humor mordaz e preciso do artista tanto para os dilemas sociais do país quanto para questões existenciais como vida, morte e sexo.

A última parte – “À Mão Livre”– revela o que a curadoria chama de “exercícios visuais” do artista, com desenhos aparentemente aleatórios, muitos deles de bichos como cães e gatos.

Abertura terá leituras de temas por Antonio Prata

Para marcar a abertura da exposição “Millôr: Obra Gráfica”, o IMS organizou uma leitura dramática em torno dos temas mais abordados pelo homenageado em sua trajetória.

A partir das 18h desta terça-feira (18), a atriz Maria Manoella e o escritor Antonio Prata conduzem a sessão, que tem entrada gratuita e acontece na Praça do IMS.

Às quintas de outubro, o ilustrador e professor Daniel Bueno também ministra um curso sobre a obra do artista ao custo de R$ 200. Mais informações podem ser obtidas no site do instituto.

Millôr: Obra Gráfica
No IMS (av. Paulista, 2.424, Consolação, tel.: 2842-9120). Abre hoje, às 18h. De ter. a dom., das 10h às 20h (qui. até as 22h). Grátis. Até 27/1.


Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo