Escritora espanhola María Dueñas lança seu quarto romance em São Paulo

Por Laura López - Metro Internacional
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A escritora espanhola María Dueñas publicou em 2009 seu primeiro livro, “O Tempo entre Costuras”, e, rapidamente, ele passou à lista de mais lidos da literatura espanhola recente. O romance foi logo transformado em série de TV, disponível no catálogo da Netflix, e acabou sendo traduzido em mais de 35 línguas. Uma delas é o português, idioma no qual María acaba lançar seu quatro livro, “As Filhas do Capitão”. A autora está no Brasil para autografar o romance e conversar com leitores. Em São Paulo, o encontro acontece nesta terça-feira (18), às 19h30, no Sesc Avenida, com entrada gratuita.

Qual a inspiração para “As Filhas do Capitão”?
É um romance sobre três jovens mulheres espanholas forçadas a emigrar para Nova York nos anos 1930. À medida que percebem as circunstâncias da história, elas se veem impedidas de voltar para a Espanha e precisam se adaptar à existência e à vida em uma grande cidade. É um romance ágil e dinâmico, uma história muito humana que reflete o drama e as incertezas da imigração.

O que a fez situar o livro em Nova York?
Nova York já era uma cidade fascinante nos anos 1930. Ela tinha quase 7 milhões de habitantes, dos quais quase 30% vinham de outros países. Então a epopeia da imigração estava muito viva, com grupos muito definidos, em um contexto no qual todo mundo buscava um posto de trabalho. Era uma Nova York vibrante, magnetizante e magnífica. Mas também era às vezes dura e hostil, sobretudo para quem chegava sem falar inglês, com pautas culturais muito distintas.

O que uma imigrante enfrentava em uma cidade em meio à Grande Depressão?
Dependendo de cada caso, havia opções. Muitas espanholas preferiam cuidar do lar ou levavam trabalho para casa. As vidas delas aconteciam em um ambiente muito doméstico. Outras conseguiam se virar como enfermeiras, passadoras de roupa ou faxineiras. Em meus romances, falo mais dessas mulheres. Em “As Filhas do Capitão”, as três protagonistas buscam manter um negócio familiar que, inicialmente, era um pequeno restaurante pertencente ao pai delas.

O que a atrai para o romance histórico?
Não diria que ele me atrai por si só. Acontece que quero explorar certos temas – neste caso, a imigração – e, quando tateio alguns cenários, encontro muitas histórias do passado que podem soar interessantes no presente. Então o que me interessa é a reinterpretação do passado e sua conexão com o presente.

Qual a importância de mostrar vozes de mulheres com uma narração feminina?
Acho que as mulheres têm um ponto de vista particular que não temos como disfarçar e com o qual contamos e canalizamos nossas histórias. Gostaria que os leitores apreciassem nossos romances com o mesmo peso com o qual nós lemos as histórias contadas por homens e nos quais há apenas homens como protagonistas. Torço para que nos leiam sem preconceitos e com um olhar tolerante e flexível. Nem sempre é assim, mas acredito que, pouco a pouco, vamos conseguir.


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