Maria Bonita: jornalista Adriana Negreiros fala sobre biografia da cangaceira

Por Metro São Paulo

A história contou ao longo dos anos que Maria de Déa, mais conhecida como Maria Bonita, era uma guerrilheira no grupo de Lampião. Tão poderosa quanto seu companheiro, era uma ameaça aos que passavam por seu caminho. Mas a realidade não é bem assim. Em “Maria Bonita – Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço”, a jornalista Adriana Negreiros traz mais detalhes sobre a vida dessa e de outras mulheres que sofreram nas mãos dos homens da caatinga.

 

A mulher que se destacou no cangaço se chamava Maria Gomes de Oliveira, para os íntimos Maria de Déa, que ficou conhecida popularmente como Maria Bonita após sua morte, assim chamada pela imprensa do país, que noticiou os casos de terror do bando pelo sertão do Nordeste.  

Para desmistificar essa imagem da perigosa Maria Bonita, como você resumiria essa mulher?

A história contou que ela seria uma cangaceira extremamente violenta, justiceira, que pegava em armas… A Joana d’Arc da caatinga. Elas eram mulheres que tinham uma função doméstica. A minha intenção foi demonstrar Maria como uma mulher transgressora, com espírito aventureiro, que tinha um comportamento ousado para época, mas não era valentona.

Em uma vida nada fácil…

Elas sempre foram muito renegadas ao esquecimento. A polícia também as tratava como violentas, para justificar uma captura. Elas eram tratadas como criminosas, mesmo que não estivessem na luta armada. Viveram uma vida infernal. Não tinham pra onde correr.

O que mais lhe surpreendeu na história delas?

O que mais me surpreendeu foi o silenciamento sobre a história das mulheres. Fui observando ao longo do processo de pesquisa que essas mulheres já haviam contado muitas situações e foram ridicularizadas. Essas mulheres são vítimas e suas reputações são colocadas em xeque. Quando Dadá contou sobre seu estupro em livros, muita gente duvidou dela. Que ela queria aparecer. Isso aconteceu com outras cangaceiras também, como Sila. Foi muito chocante saber das histórias de violência, especialmente sobre mulheres, e elas terem sido negligenciadas.

Afinal, Maria gostava ou não de Lampião?

Sou bem convencida que eles tinham um relacionamento afetivo bem verdadeiro. Nunca uma mulher tinha acompanhado o bando de cangaceiros. Desde então eram apenas homens, desde o século 17. Maria foi a primeira mulher a quebrar essa regra. Ele estava realmente apaixonada por ela. Ao longo desses oito anos esse sentimento se manteve, com todos os problemas de relacionamento. Pelas imagens dá pra ver que há uma relação afetuosa.

Dadá e Cila também merecem destaque em seu livro. Se havia diferença, qual era entre elas e Maria?

Dadá era a segunda mais importante no cangaço. Ela tinha o espírito de liderança, que era constantemente questionado pelos “cabras”. Ela e Maria se odiavam. Uma achava que era fresca, outra achava que Bonita era sarcástica, que tinha uma risada escandalosa. A Sila era mais próxima da Maria. Embora desse umas alfinetadas. Que Maria não era tão bonita quanto se dizia. Sororidade não existia de forma alguma.  


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