O Paciente: filme desvenda saga médica que impediu Tancredo Neves de ser presidente

Por Metro Rio

Tancredo Neves já era chamado de presidente por familiares e amigos, quando, na véspera da posse, a realidade bateu à porta: com dores no corpo, ele foi hospitalizado e teve que passar por uma cirurgia para combater uma suposta apendicite. Era o início de uma saga médica misteriosa, que deixou o país inteiro em suspense por 38 dias até a morte do político, em 21 de abril de 1985.

Os detalhes da sucessão de eventos que impediu Tancredo de subir a rampa do Palácio do Planalto são contados no filme “O Paciente – O Caso Tancredo Neves”, que estreia nesta quinta-feira (13). Sob direção de Sérgio Rezende (“Guerra de Canudos”, 1997), o longa é baseado no livro homônimo do historiador Luís Mir, que investigou prontuários médicos e documentos do Hospital de Base, de Brasília, e do Instituto do Coração, em São Paulo, onde Tancredo morreu.

Na pele do protagonista, o ator Othon Bastos tem a missão de dar vida – e retratar a morte – à figura política eleita indiretamente pelo Congresso para ser o primeiro presidente civil após a ditadura militar. Com a estrutura de thriller médico, nos moldes de séries americanas como “Grey’s Anatomy”, a narrativa começa com a preparação de Tancredo para o discurso de posse, diante da mulher, Risoleta Neves (Esther Góes).

Mesmo com dores de um homem de 75 anos, ele se recusava a ir ao médico antes da cerimônia. O receio era o de que o general João Figueiredo, o último presidente militar, não aceitasse passar a faixa ao vice, José Sarney, que despertava desconfiança na alta cúpula das Forças Armadas. “Eu tenho responsabilidade com a estabilidade deste país”, dizia Tancredo.

Conciliador
Parceiro de Othon em “Mauá – O Imperador e o Rei” (1999) e “Zuzu Angel” (2006), Rezende não teve dificuldade de escolher seu protagonista. “Ele é um dos maiores, senão o maior ator do país”, elogia o diretor, que não consultou a família Neves para retratá-lo. “Ele entrou para história como um conciliador. No Brasil tão radicalizado, polarizado, é importante um cara como o Tancredo para se colocar na posição de convergência. Nas crises, ele estabelecia um ponto de equilíbrio e isso hoje é o que precisamos.”

Erros médicos
Apesar da reticência de Tancredo, as dores o convenceram a ser hospitalizado. A princípio, a suspeita era de que o problema fosse apendicite. Mas, durante a primeira cirurgia, os médicos identificaram uma diverticulite. O procedimento, feito às pressas em meio às obras da reforma do Hospital de Base, em Brasília, desencadeou uma série de infecções e o quadro de saúde do paciente se agravou. Uma junta médica foi formada para tentar solucionar o caso e, em 26 de março, Tancredo foi transferido para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, aos cuidados do doutor Henrique Pinotti (Paulo Betti).

O Brasil acompanhava, pela TV, a situação do presidente eleito, quando, na noite do dia 21 de abril de 1985, o secretário de imprensa, Antônio Britto (Emílio Dantas), anunciou o que se temia: “Lamento informar que o excelentíssimo presidente da República Tancredo de Almeida Neves faleceu esta noite.”

O final da história todo mundo conhece. Mas o diretor explica que a ideia é desvendar os bastidores do tratamento de Tancredo. “Não tem a ver com ano eleitoral. Além da importância espetacular, essa é história de cinema”, afirma Rezende.

Veja o trailer do filme:

Confira mais imagens sobre o caso:

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