33ª Bienal de São Paulo traz 19 exposições distintas em torno do lema Afinidades Afetivas

Por Amanda Queirós/Metro São Paulo

Quando o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro recebeu a missão de fazer a curadoria da 33ª Bienal de São Paulo, há pouco menos de dois anos, ele se viu diante de um impasse: como colocar de pé o evento – o terceiro do tipo a ser criado em todo o mundo, em 1951 – sem reafirmar os problemas operacionais que esse modelo carrega?

A reunião de obras em torno de um tema, a centralidade do pensamento do curador em detrimento dos artistas e a busca por relevância entre as cerca de 320 bienais existentes eram fatores que o incomodavam.

Para driblá-los, Pérez-Barreiro resolveu dividir seu trabalho com sete artistas em torno do conceito de “Afinidades Afetivas”, nome da edição que abre nesta sexta-feira (7), no Pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera.

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Cada um deles teve total autonomia para convocar outros artistas, com obras comissionadas ou já existentes, e montar mostras em torno de suas próprias pesquisas. Isso transformou a Bienal em um conjunto de exposições às quais se somam, ainda, 12 individuais pinçadas pelo próprio curador-geral.

“Queria evitar um discurso centralizado. Se sentássemos juntos [para pensar o que fazer], acabaríamos fazendo algo juntos, e eu não queria isso. São sete exercícios de curadoria com metodologias completamente distintas”, explica Pérez-Barreiro.

Na prática, a Bienal evita o caráter monumental exaltado pelo prédio no qual se encontra e mira uma postura mais “low profile”. A ideia é evidenciar o papel do público na construção de sentidos do que se vê em vez de impor interpretações já prontas e que parecem desconectadas do que ele enxerga à sua frente.

“Quando se criam expectativas discursivas, o natural é a pessoa chegar e sentir que reprovou a prova. Quisemos pensar o espaço da Bienal em uma escala humana. Se ela não é feita para o público, vira apenas um exercício narcisístico”, diz o curador-geral, destacando o papel do serviço educativo para esse fim, que propõe exercícios com o objetivo de fazer o visitante recobrar sua atenção, quebrando as lógicas aceleradas do dia a dia.

Para Pérez-Barreiro, exaltar a diversidade de pensamentos a partir dessa fragmentação é justamente uma resposta a problemas típicos da contemporaneidade, como a falta de concentração e a intolerância.

“A solução [para o que estamos vivendo] não é substituir o diverso pelo único. Conviver apenas com quem pensa do mesmo jeito ecoa nossos preconceitos. Intolerância tem a ver com isso. Por isso, não acho que a fragmentação seja ruim”, diz ele, reforçando o papel do público nessa equação. “O foco nessa relação é um caminho possível para fugir dessa crise do modelo de bienais.”

Serviço:
No Pavilhão Ciccillo Matarazzo (av. Pedro Álvares Cabral, s/n, parque Ibirapuera). Abre nesta sexta-feira (7). Ter., qua., sex., dom. e feriados, das 9h às 19h; qui. e sáb., das 9h às 22h. Grátis. Até 9/12.

Veja alguns destaques da exposição:

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