Cassio Scapin dirige peça que explora dilemas do maestro João Carlos Martins

Por Amanda Queirós/Metro São Paulo

Depois de ter sua trajetória de esforço e superação retratada no filme “João, o Maestro”, o pianista e regente João Carlos Martins ganha nova homenagem na peça “Concerto para João”, que estreia hoje. Rodrigo Pandolfo volta a encarnar o artista em uma montagem, dirigida por Cassio Scapin, que imagina os devaneios dele durante uma das várias cirurgias pelas quais passou para recuperar o movimento das mãos.

Como você chegou ao pojeto dessa peça?

Foi um convite do [produtor] Carlos Mamberti. Ele propôs esse projeto ao maestro, que falou com o Pandolfo, responsável por interpretá-lo no cinema. Mas não tinha o texto. Sugeri o Sérgio Roveri, que é um excelente autor. Ele fez uma pesquisa grande e escreveu tudo em uma enxurrada de inspiração.

Qual a diferença da peça para o filme?

A gente não tem preocupação com a cronologia dos fatos. Não me interessaria fazer uma reprodução biográfica. O recorte está na relação do artista com seu ofício e a impossibilidade de fazê-lo, o que universaliza o assunto.

Isso aproxima a história do maestro com os dilemas de vocês enquanto artistas?

Isso dá uma dimensão muito mais humana da relação de um homem com seu ofício, mas também tem a ver com certa resistência do teatro e dos artistas, que têm conseguido superar as dificuldades para tentar exercer essa função da melhor maneira.

Como essa escolha se reflete na cena?

Sem essa dinâmica realista, a gente pôde brincar com o universo onírico. O maestro ficou conhecido por uma maneira inédita de executar Bach, e o espetáculo busca reinventar o barroco no aspecto estético. Também trabalhamos em cima dessa premissa para falar da relação com Deus, fé e crença.

Existe alguma preocupação em caracterizar o Pandolfo como o maestro?

Não, a indicação de construção de personagem foi muito mais em torno do estado de espírito do maestro do que da tentativa de reproduzir sua imagem. Mas temos um pouco do comportamento físico dele, como a questão das mãos, que é muito evidente.

E como é fazer uma peça sobre alguém vivo?

É muito estranho! Damos um depoimento sobre um ser humano, e me sinto um pouco invasivo em relação a esse material vivo. Mas ele disse que está acostumado.

SERVIÇO

No Teatro Faap (r. Alagoas, 903, Higienópolis; tel.: 3662-7233). Sex. e sáb., às 21h; dom., às 18h. R$ 70. Até 2/12.

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