Pavilhão Vera Cruz: Prefeitura de São Bernardo faturou R$ 1,5 milhão com aluguel de estúdios

Por Cadu Proieti/Metro ABC

A concessão do histórico espaço Vera Cruz, no Jardim do Mar, em São Bernardo, abasteceu os cofres da prefeitura. Segundo a administração municipal, em um ano, a partir de  julho do ano passado, foi arrecado R$ 1,5 milhão com o aluguel dos estúdios. Segundo o município, neste período o equipamento foi utilizado em 11 ocasiões pela iniciativa privada.

O valor é destinado aos cofres públicos e pode ser empenhado na manutenção do espaço e demais atribuições municipais, diz a administração.

Dentre as principais atividades realizadas até agora estão as  gravações do programa “The Wall” para cinco países, incluindo a versão brasileira, apresentado no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo, e o programa “Canta Comigo”, apresentado por Gugu Liberato, na TV Record, ambas atrações idealizadas pela Endemol Shine Group. Também houve Campanhas publicitárias com Gisele Bundchen e Neymar e de uma operadora de telefonia móvel, além de eventos como a Feira de Noivas e da Moda Inverno, entre outros.

Referência do cinema nacional nos anos 1950, o Vera Cruz passou por sucessivas tentativas fracassadas de voltar a viver do cinema. A última delas foi em 2015, na gestão do ex-prefeito Luiz Marinho (PT), quando foi concedido para a Telem, especializada em infraestrutura de entretenimento, em acordo que permitia a exploração do espaço pelo período de 30 anos em troca de investimentos de R$ 156 milhões no local, incluindo a instalação do CAV (Centro de Audivisual) no equipamento.

Porém, a revitalização não avançou e ao, invés de ser utilizado para a produção cinematográfica, o espaço começou a ser alugado para a realização de shows musicais, que nem sequer aconteceram porque atual prefeito, Orlando Morando (PSDB), encerrou a parceria com a Telem de forma unilateral em abril de 2016.

Inicialmente, o governo tucano dizia ter planos para que emissoras de TV usassem o espaço, o que foi descartado posteriormente após falta de interesse das empresas do setor.

Dois meses depois do rompimento de contrato de concessão, a prefeitura estipulou valores para que a área fosse utilizada pela iniciativa privada em curtos espaços de tempo. Os preços foram fixados de acordo com o local usado e as diárias variam entre R$ 3 mil, para o pavilhão C, de 1.381 metros quadrados, e R$ 9 mil, para a área externa de 8,6 mil metros quadrados.

Acervo pode ir para a Cinemateca

A Prefeitura de São Bernardo informou que está em tratativas com a Cinemateca do Estado, que fica na Vila Clementino (zona sul da capital), para recebimento e guarda do acervo cinematográfico do Vera Cruz. Atualmente, o material está alojado em um dos galpões do espaço.

Quando rompeu o contrato de concessão, em abril de 2016, o prefeito Orlando Morando (PSDB) mostrou que grande parte do material, como figurinos e rolos de filme, estavam em estado de conservação ruim. 

Segundo o governo municipal, se o acordo com a Cinemateca der certo, o acervo será catalogado e armazenado, respeitando as especificidades técnicas e estado de conservação. A prefeitura diz que os direitos autorais serão mantidos com os respectivos detentores e cabe à Cinemateca apenas a guarda e proteção do material.

O acervo foi adquirido em 2009 pelo município com auxílio da União. O material, que inclui 10 mil fotos e 40 filmes, pertencia a família Khouri, antiga proprietária dos estúdios Vera Cruz.

Pavilhão foi referência na década de 1950

Famoso por ser um dos maiores estúdios do país durante os anos 1950, o Vera Cruz recebeu produções importantes da época, como os filmes de Amácio Mazzaropi, eternizado com o papel de Jeca Tatu.

Mas o empreendimento faliu com a chegada das grandes produções norte-americanas anos depois. A primeira tentativa de reviver o galpão veio em 1999, com reforma nunca concluída do governo do estado. Em 2009, um novo projeto de revitalização foi anunciado com parceria entre Ministério da Cultura e prefeitura, também sem sucesso.

A tentativa para concessão à iniciativa privada, em 2015, também naufragou. O último filme produzido no local foi “Carandiru”, em 2002, que usou o local para algumas cenas.

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