Os Leões de Bagdá: HQ narra jornada dos felinos pela liberdade

Por Bruno Bucis - Metro Brasília

Durante a Guerra do Iraque, em 2003, apenas 30 dos cerca de 650 animais do zoológico de Bagdá sobreviveram. Abandonados à própria sorte, quatro dos leões que ali viviam tentaram fugir pela cidade bombardeada. É com base nesta história real que Brian K. Vaughan (de “Y: O Último Homem”) criou a história “Os Leões de Bagdá”.

A graphic novel é curta – pouco mais de cem páginas de quadrinhos –, mas é difícil não se emocionar com a jornada que o autor imagina para a vida do leão adulto, seu filhote e duas leoas que os acompanharam pela capital iraquiana no meio da guerra. Publicada originalmente em 2008, a HQ era um artigo raro no Brasil, até que a Panini Books anunciou sua republicação em maio passado.

Embora os leitores tenham reclamado de que segue sendo impossível encontrar o encadernado à venda, a edição vale a espera e a busca, por apresentar, além da história completa, novos textos dos autores e artes inéditas sobre a produção da minissérie. A história é narrada pelos próprios animais desde o momento em que fogem do zoológico, que havia sido abandonado pelos funcionários oito dias antes.

Com seus pontos de vista inocentes e memórias dos tempos de liberdade na selva, os animais levam o leitor a questionar-se se selvagens são eles ou os humanos que lhes roubaram tudo e então os abandonaram – coisa que voltou a acontecer em 2017, em outro zoológico iraquiano, por conta das ofensivas de combate contra o Estado Islâmico e que deixaram apenas dois animais vivos. Essa perspectiva “humanizada” do enredo faz com que se aborde a guerra com uma delicadeza ímpar – os leões não entendem, por exemplo, que grandes animais são aqueles caças que voam sobre eles –, sendo a história coroada pelos desenhos de Niko Henrichon, que encanta com suas cores sem esconder a violência que leva girafas a terem suas cabeças explodidas por mísseis. Cruel e, infelizmente, real

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