Coleção reúne toda a obra teatral de Plínio Marcos

Por Carlos Minuano - Metro Jornal

Carimbado como maldito, o dramaturgo e escritor Plínio Marcos (1935-1999), certamente, foi muito mais do que isso. De fato, retratou como poucos marginais, prostitutas e desvalidos de todos os tipos, mas também escreveu sobre espiritualidade, musicais e até peças infantis.

Tão extensa quanto desconhecida e dispersa, a produção do autor foi pela primeira vez sistematizada e organizada na recém-lançada coleção “Plínio Marcos — Obras Teatrais”, que traz, em seis volumes, 29 peças do autor, sendo 10 inéditas, nunca editadas em livro ou montadas, conforme conta o organizador do material e crítico literário, Alcir Pécora.

Mas o restante da coleção também apresenta elementos novos, garante Pécora. “Do total de peças, não há nenhuma que não apresente alguma novidade, pois foram editadas seguindo rigorosamente a última modificação feita em vida pelo Plínio”. Segundo o organizador, o autor mudava bastante os textos, tanto para ajustá-los aos acontecimentos, como para assimilar ganhos e perdas das montagens.

“Há muito material que pode subsidiar uma visão nova da obra do Plínio”, completa. A coleção revela a amplitude da obra, que inclui incursões pouco conhecidas por gêneros bem diversos das abordagens de veia mais social e crítica que o carimbou como maldito e que lhe rendeu muitas censuras durante os anos de chumbo. “Há peças infantis, musicais, de fundo místico ou esotérico, peças biográ- fica.

Um conjunto complexo e de grande impacto artístico que se estende muito além das peças mais conhecidas sobre o marginal ou a prostituta”, explica Pécora. Mas, claro, as clássicas como “Navalha na Carne” e “Dois Perdidos numa Noite Suja”, também estão na coleção, que é organizada em linhas temáticas com ensaios críticos e amplo material iconográfico, organizado por Ricardo Barros, filho de Plínio (fotos, cartazes, imagens de textos escritos à mão pelo dramaturgo, entre outros).

A coletânea, segundo Pécora, representa um acerto de contas com o autor, que “precisa ser redescoberto e estudado em sua abrangência”.

Lançamento

No próximo dia 21 de julho, às 15h, acontece em São Paulo uma tarde de autógrafos da coleção “Plínio Marcos – Obras Teatrais”, com a presença do curador Alcir Pécora e do filho de Plínio, Kiko Barros. O lançamento ocorre no projeto O Autor na Praça, que há quase 20 anos reúne escritores e artistas na feira de artes da praça Benedito Calixto, zona oeste. A edição de estreia do evento cultural, em 1999, teve a participação do próprio Plínio Marcos. 

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