Novo livro de Pedro Neschling aposta na dificuldade em lidar com as diferenças

Por Metro Rio
supernormal

Beto é um jovem advogado que se depara com uma outra realidade quando reencontra uma amizade de infância. Helena, uma mulher trans que Beto conhecia na escola como André, ressurge na vida dele e o faz questionar algumas certezas que acalentava sem reflexão alguma.

Para contar essa história em “Supernormal”, o autor, dramaturgo e escritor Pedro Neschling mergulhou sem medo em temas como a não associação entre identidade de gênero e orientação sexual. “As pessoas da dita sociedade padrão costumam enxergar isso como algo estranho, distante. Uma mulher transexual é exatamente igual a qualquer um de nós”, avalia o autor de 35 anos, que visa desmistificar a transexualidade.

Leia mais:
Eddie Vedder emociona plateia ao chamar filha para dançar valsa durante show; assista
Camila Cabello fará quatro shows no Brasil em outubro

Para isso, conversou com diversas mulheres trans para ser capaz de desenvolver Helena como uma personagem real, que não fosse baseada em clichês e estereótipos. Já Beto foi construído de forma próxima ao leitor para facilitar a identificação com suas dúvidas e dificuldades.

Pedro questiona o conceito de normalidade, que impede a sociedade de explorar possibilidades diferentes das quais está acostumada. “Estamos aprisionados dentro do que se convencionou que é correto, normal. Quando você descobre que é uma prisão, abre-se um mundo completamente diferente”, afirmou Neschling.

O autor conta que o reencontro entre dois amigos e as formas contemporâneas de se relacionar já eram assuntos que ele queria abordar. Durante os dois anos de escrita do livro, no entanto, Pedro percebeu que a história era datada, e os conflitos não o interessavam mais. Para trazer a narrativa para os dias de hoje, ele introduziu a temática trans, pauta frequente atualmente.

“O Brasil é um dos países que mais mata LGBTs, então se o livro fosse lançado em outra época a chance de ter outro caso seria grande”, lamentou ele ao ser perguntado sobre a proximidade do lançamento do livro com o assassinato da estudante Matheusa Passareli, ocorrido em maio, no Rio.

“A gente sempre tenta pensar o que é padrão, o que é normal. Estamos nos desfazendo do normal”.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo