‘Foi o maior choque que já tive’, diz curador da exposição Queermuseu

Em entrevista ao Metro Jornal, curador da exposição relembra os episódios da polêmica e critica o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), que acusou a mostra de incentivar a zoofilia e a pedofilia

Por Metro Rio

Quando organizou a exposição “Queermuseu”, o gaúcho Gaudêncio Fidélis não poderia imaginar que ela se incorporaria de forma tão profunda no debate político brasileiro. Em entrevista ao Metro Jornal, o artista plástico de 53 anos chama o fechamento da mostra de “censura” e critica os grupos responsáveis pela polêmica. 

Leia mais:
‘Queermuseu’ arrecada valores recordes em crowdfunding e será remontada no Rio
Rita Lee lança livro com letras censuradas pela ditadura

Gaudêncio Fidélis Divulgação

Proposta da mostra

“A ideia da exposição foi reunir um conjunto de obras que problematizassem a questão ‘queer’. Com o fechamento, a percepção que as pessoas tiveram dela foi a de uma exposição que elas não viram. E essa é uma mostra que necessita ser vista. Não adianta olhar separadamente para as obras, porque elas existem na confluência e na justaposição.“

Controvérsia

“A exposição foi muito celebrada no dia da abertura, com o maior público que o Santander Cultural já recebeu em seus 17 anos. Não havia nenhum sinal de manifestação contrária ou de insatisfação. No dia 6 de setembro, começaram a ingressar no espaço membros do MBL com câmeras em mãos e atacando as pessoas com palavras agressivas. No dia 7/09, a exposição não abriu, mas os ataques continuaram. No sábado (9), esses vídeos começaram a migrar para as redes. O Santander decidiu fechar a exposição no domingo (10).”

Reação à polêmica

“Recebi a notícia [do fechameto] pelo WhatsApp. Foi o maior choque que eu já tive na minha vida. Tive apenas alguns minutos para pensar no que estava acontecendo e aí meu telefone começou a tocar e nunca mais parou.”

Defesa

“Esse processo de mais de 180 entrevistas que concedi foi para esclarecimento da opinião pública sobre uma narrativa difamatória, que o MBL colocou em curso e o Santander consolidou com o fechamento e que, depois, cresceu com ajuda de fundamentalistas e da ultradireita, inclusive do deputado Jair Bolsonaro. No início, ele chegou a dizer que deveriam fuzilar os curadores da mostra [o deputado não respondeu os pedidos de posicionamento da reportagem].”

Manifestação do prefeito Marcelo Crivella (PRB)

“O Crivella fez aquela intervenção criminosa, que também é mentirosa. Ele se usou do fato de ter foro privilegiado, porque, se não tivesse, não faria, já que seria imediatamente processado. Eu entrei na Justiça e pedi uma comunicação extrajudicial para que ele se explicasse. Além disso, ele usou a máquina pública para fazer isso, porque quem gravou os vídeos foram funcionários públicos.”

Censura

“Está previsto na Constituição o acesso ao conhecimento e o não cerceamento da liberdade de expressão. Cabe a cada um de nós decidir se queremos ir ou não ver a exposição. É inconcebível que um grupo de fanáticos decida por nós.”

Sucesso do crowdfunding

“Credito isso ao apelo popular da exposição, ao desejo de parte significativa da sociedade brasileira progressista. Agora, estamos respaldados por um financiamento cuja contribuição representa a força da sociedade brasileira de bater o pé e dizer: queremos a exposição aberta.”                    

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo