Kanye West aposta em tom confessional em novo álbum

Por Metro Jornal

Os últimos anos não têm sido fáceis para o controverso Kanye West. Em 2016, o rapper abandonou a turnê de divulgação de seu então mais recente álbum, “The Life of Pablo”, devido a uma estafa mental. Mais recentemente, foi rechaçado pela comunidade negra ao declarar apoio ao presidente norte-americano Donald Trump e afirmar que a escravidão foi uma “escolha” dos africanos.

Ainda assim, ele segue como uma das mentes criativas mais sagazes da música dos Estados Unidos, produzindo para nomes como Drake, Rihanna e Pusha T. Sem lançar nada desde 2016, West se isolou com colaboradores em uma chá- cara no Wyoming.

O primeiro resultado foi “Ye”, seu oitavo álbum solo. Segundo o rapper, “ye” é uma espécie de alter-ego seu, o que justificaria o tom extremamente confessional que recheia o disco. Os beats e as rimas apressadas, guiados por samplers bem produzidos, dão lugar aqui a versos quase recitados e uma sonoridade mais orientada ao soul e blues que apresentam West em uma franqueza dilacerante.

Isso está presente desde a faixa de abertura, “I Though About Killing You”, na qual canta versos como “Hoje pensei seriamente em matar você / Contemplei, crime premeditado / E pensei em me matar, mas eu me amo muito mais do que amo você, então…”. Em “Yikes”, ele evoca Prince e Michael Jackson – vítimas do abuso de medicamentos prescritos – para revelar seu próprio vício em remédios.

O noticiário também não fica de fora. O movimento #MeToo é citado, bem como a atriz pornô Stomy Daniels, que teria tido um caso com Trump. Problemas pessoais com a própria mulher, Kim Kardashian, também entram na roda em “Wouldn´t Leave”. Com isso, o artista expõe suas fragilidades sem medo. Contraditoriamente, ele parece sair fortalecido da experiência. A capa do álbum resume bem isso. Sobre uma foto das montanhas do Wyoming, ele lê-se com uma tipografia bem infantil: “Eu odeio ser bipolar / É maravilhoso!”.

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