Fabiana Cozza desiste de ser Dona Ivone Lara em musical após críticas de 'não ser tão negra'

Por Metro Jornal

A cantora Fabiana Cozza anunciou neste último domingo (3) que não vai mais interpretar Dona Ivone Lara no musical em sua homenagem que iria estrear em setembro.

De acordo com a artista, o motivo da desistência tem a ver com as inúmeras críticas que recebeu por "não ser tão negra" para viver o papel no teatro.

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"Aos irmãos: O racismo se agiganta quando transferimos a guerra para dentro do nosso terreiro. Renuncio hoje ao papel de Dona Ivone Lara no musical Dona Ivone Lara – um Sorriso Negro após ouvir muitos gritos de alerta – não os ladridos raivosos. Aprendo diariamente no exercício da arte – e mais recentemente no da academia, sempre com os meus mestres – que escuta é lugar de reconhecimento da existência do Outro, é o espelho de nós", explicou Fabiana, que iria interpretar nos palcos a fase adulta de Ivone Lara.

Filha de uma mulher branca com um homem negro, a cantora fez questão de trazer informações sobre sua certidão de nascimento em que é classificada como "parda".

"Renuncio porque, como escreveu André Abujamra e interpretou meu amado amigo Chico Cesar, “alma não tem cor”. E a gente chega lá", desabafou Fabiana pedindo ainda que o assunto seja discutido e dizendo que tem muito respeito pela família de Dona Ivone Lara.

Confira o post publicado pela cantora:

Fabiana Cozza dos Santos, brasileira Nascimento: 16 de janeiro de 1976 Mãe: Maria Ines Cozza dos Santos, branca Pai: Oswaldo dos Santos, negro Cor (na certidão de nascimento): parda Foto: @leonardo.gola Aos irmãos: O racismo se agiganta quando transferimos a guerra para dentro do nosso terreiro. Renuncio hoje ao papel de Dona Ivone Lara no musical “Dona Ivone Lara – um sorriso negro” após ouvir muitos gritos de alerta – não os ladridos raivosos. Aprendo diariamente no exercício da arte – e mais recentemente no da academia, sempre com os meus mestres – que escuta é lugar de reconhecimento da existência do Outro, é o espelho de nós. Renuncio porque falar de racismo no Brasil virou papo de gente “politicamente correta”. E eu sou o avesso. Minha humanidade dói fundo porque muitas me atravessam. Muitos são os que gravam o meu corpo. Todas são as minhas memórias. Renuncio por ter dormido negra numa terça-feira e numa quarta, após o anúncio do meu nome como protagonista do musical, acordar “branca” aos olhos de tantos irmãos. Renuncio ao sentir no corpo e no coração uma dor jamais vivida antes: a de perder a cor e o meu lugar de existência. Ficar oca por dentro. E virar pensamento por horas. Renuncio porque vi a “guerra” sendo transferida mais uma vez para dentro do nosso ilê (casa) e senti que a gente poderia ilustrar mais uma vez a página dos jornais quando ‘eles’ transferem a responsabilidade pro lombo dos que tanto chibataram. E seguem o castigo. E racismo vira coisa de nós, pretos. E eles comemoram nossos farrapos na Casa Grande. E bebem, bebem e trepam conosco. As mulatas. Renuncio em memória a todas negras estupradas durante e após a escravidão pelos donos e colonizadores brancos. (continuação da carta em outro Post…)

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